13/09/2011

.: CINEMA .: Planeta dos Macacos: A Origem

Sempre fui fã da série de filmes “Planeta dos Macacos”, muito antes de descobrir que os caras do “The Big Bang Theory” também adoram. Na verdade, ainda moleque, por volta dos 10 anos de idade, lembro de ter visto os dois primeiros capítulos e curtido bastante, ainda que de forma despretensiosa – mas anos depois, já um adolescente nerd viciado em ficção científica, talvez com 14 ou 15 anos, um canal de TV por assinatura exibiu na seqüência as cinco películas. Mesmo sem uma máscara de símio como Leonard, Raj e Howard, passei o dia inteiro grudado na tela, à base de “salgadinhos-porcaria” e refrigerante. E me apaixonei. De verdade.

Dá para entender, portanto, o quão ansioso eu estava por este “Planeta dos Macacos: A Origem”? Talvez se tratasse do filme blockbuster que eu mais estava maluco para ver este ano, bem ali ao lado das trocentas adaptações de super-heróis dos quadrinhos para o cinema. O resultado? Uma produção enxuta, com ótimo timing narrativo, bem centrada em sua proposta inicial, sem floreios, com uma coleção de belíssimos efeitos especiais. E uma trama vigorosa que não fica perdendo tempo com uma série de histórias paralelas, que se foca de fato nos personagens centrais, oferecendo duas belas horas de diversão para não desgrudar da cadeira. Não é um filme perfeito. Mas é entretenimento de ótima qualidade, e eu arriscaria até a dizer que estamos falando de uma das produções hollywoodianas de ação/ficção com melhor acabamento/empacotamento de toda a temporada.

Uma espécie de re-início para a franquia, “Planeta dos Macacos: A Origem” não desconsidera completamente a releitura de Tim Burton (correta, até, mas um pouco megalomaníaca demais se vista mais umas duas ou três vezes) para o primeiro filme original (1968), com Charlton Heston e a antológica cena da Estátua da Liberdade. Mas digamos que abre caminho para uma nova abordagem, mais moderna e dinâmica - perdão, Burton, você é gênio, mas esta é a mais pura realidade.

Antes de falar sobre a história do filme, cabe aqui, no entanto, um esclarecimento para quem não é exatamente familiarizado com a série original de filmes.

No terceiro filme, “A Fuga do Planeta dos Macacos” (1971), os macacos Cornelius e Zira fazem o caminho contrário do astronauta vivido por Heston e voltam ao passado – já que o Planeta dos Macacos é a Terra do futuro, dominada por símios falantes e com inteligência bem acima da humana. Não vou entrar muito no mérito para não entregar um spoiler ainda maior do que este, mas o casal acaba morrendo em algum ponto. E quem fica para trás é seu filho recém-nascido, César. Vinte anos depois, no quarto filme (“A Conquista do Planeta dos Macacos”, de 1972), César ressurge das cinzas onde estava escondido e começa a ensinar seus compatriotas comedores de banana e a liderar a revolução. No quinto filme, “Batalha pelo Planeta dos Macacos” (1973), eis que César, agora comandante de um mundo no qual os humanos foram dizimados por uma doença e os poucos restantes servem como escravos dos macacos, ele começa a se arrepender e resolve tentar estabelecer a paz entre as espécies – não sem contar com certa dose de oposição.


Preâmbulo feito, digamos, portanto, que “Planeta dos Macacos: A Origem” é uma releitura de “A Conquista do Planeta dos Macacos”. Mas esqueça este papo de viagem no tempo. César é o filhote de uma macaca que foi a primeira cobaia com resultados perfeitos dos experimentos de Will Rodman (James Franco), jovem cientista que busca uma cura para o mal de Alzheimer – que, por sinal, também acomete seu pai (John Lithgow). Algo dá errado com o experimento, a mãe de César morre e Rodman, agora desacreditado, leva o pequeno macaquinho para casa, para que possa cuidar dele por uma noite, até arrumar abrigo. Esta noite se transforma em anos e mais anos, já que o cientista se afeiçoa ao animalzinho. O caso é que o intelecto de César passa a se desenvolver de maneira inacreditável, fazendo com que Rodman se encha novamente de esperança sobre o medicamento e passe a trabalhar nele escondido, roubando amostras do laboratório para aplicar em seu pai. E a cura, pasmem, funciona! E não só funciona como ainda faz seus neurônios se desenvolverem e se multiplicarem!

Mas é óbvio que, de bichinho doce e meigo, César vai se revelando com cada vez mais personalidade – e manifesta, em determinado episódio, um aspecto violento que acaba forçando-o a se afastar de sua “família”. É neste momento, ao lado de outros animais como ele, que César começa a entender como os humanos o enxergam e quem ele de fato é – e também quem ele não quer mais continuar sendo.

Que Franco e Lithgow me perdoem, mas em um filme chamado “Planeta dos Macacos”, era de se esperar que a macacada reunida fosse o maior destaque. E isso é, sem dúvida. César, cujos movimentos e expressões faciais são cortesia do mesmo Andy Serkis que serviu de base para o Gollum de “O Senhor dos Anéis”, rouba a cena. O chimpanzé protagonista sofre uma nítida transformação ao longo do filme, passando a apresentar a partir de um certo ponto um olhar que chega a ser maligno e assustador. Medo total.

Por falar na obra de Tolkien, aliás, a mesma equipe de efeitos especiais, a WETA Digital, foi responsável pela criação dos macacos gerados por computador. E o trabalho é simplesmente soberbo, fazendo os rebeldes peludos de maneira ao mesmo tempo real e aterrorizante. Quando a rebelião de fato começa e eles passam a tomar a cidade aos bandos, destruindo tudo sob a liderança de César, o  espetáculo visual está mais do que completo. Prepare-se para a tomada da ponte Golden Gate, quando um gorila vai mostrar o que pode fazer a um helicóptero. Simplesmente sensacional.

O final, é claro, deixa duas pontas abertas para uma continuação e ambas, obviamente, têm relação direta com o que vai acontecer no futuro. Não vou entregar, mas digamos que se você leu os parágrafos acima, deve ter sacado – ou pelo menos pode supor uma parte. Eu, honestamente, espero que aconteça. Tomara que alguém da Fox esteja lendo isso, aliás. Este sim é um daqueles filmes que, de tão bem amarradinhos e funcionais, merecem uma segunda rodada. Parafraseando João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, “como macaco gosta de banana, eu gosto deste filme”.

PS: Chupa, Malfoy! =)

PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM (Rise of the Planet of the Apes, 2011)Diretor: Rupert Wyatt
Roteiro: Rick Jaffa & Amanda Silver 
Elenco: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow, Brian Cox, Tom Felton e Andy Serkis

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