06/12/2011

.: CINEMA .: Happy Feet 2 – O Pingüim

Pingüins são divertidos. Assim como os macacos, sabe? Filmes e desenhos animados com pingüins ou com macacos têm poucas chances de dar errado (não vamos incluir nesta conversa, é claro, aberrações como “Os Pingüins do Papai”. Mantenham o Jim Carrey e/ou o Eddie Murphy fora disso). Dessa forma, quando George Miller (o mesmo cineasta de “Mad Max”, vejam vocês) resolveu fazer o primeiro “Happy Feet”, ele tinha pouquíssimas chances de dar com os burros n’água. Porque se tratava de uma animação com pingüins, ora bolas. Se até o bobinho “Tá Dando Onda” deu certo – e boa parte disso é porque se trata de um filme com pingüins, meu caro – como “Happy Feet” haveria de naufragar?

Aliás, “Happy Feet” não apenas não naufragou como acertou na mosca. Miller nos apresentou um delicioso caldeirão de música pop da melhor qualidade para embalar as cantorias das simpáticas aves de fraque. Revestiu isso com um discurso ambientalmente correto equilibrado que não soou nem um tantinho eco-chato. E ainda amarrou tudo com um final emocionante e surpreendente, que me fez ficar grudado na cadeira, uma aplicação brilhante de um personagem de desenho animado (ou de “animação”, como bem me corrigiria o amigo Paulo “Fanboy” Martini) diante de um bando de seres humanos reais, com uma dose estupenda de reflexão. “Happy Feet” virou mais do que um filme divertido com pingüins. Virou um ótimo filme. Ponto.

E aí, o Miller botou na cabeça que ia fazer “Happy Feet 2”. Ou alguém botou na cabeça dele, sei lá. O fato é que ele acreditou que precisa fazê-lo. E se deu mal.

“Happy Feet 2” até que é divertido. Não chega a ser uma desgraça, sofrível, doloroso de assistir ao lado das crianças. Mas naufraga miseravelmente em todos os pontos nos quais seu antecessor acerta. A mensagem ambiental é óbvia e chatíssima, do tipo que irritaria até os ativistas mais inflamados na missão de sair abraçando árvores e beijando filhotes de foca. A utilização de música pop, trunfo da primeira película, é deixada em segundo plano, aparecendo em poucas ocasiões e com uma seleção de repertório de gosto duvidoso (à exceção, talvez do Queen – que, vamos e venhamos, teve papel mais inteligente na trilha do filme anterior). A interação com os humanos é bobinha, quase risível. E o final...ah, o final. Chega a ser quase constrangedor de tanto que é previsível.

Veja só a trama: o pingüim do primeiro filme, aquele que não sabia cantar como os outros imperadores mas preferiu dançar, cresceu. Continuou dançando, cheio de ginga. Arrumou uma namorada. E teve um filhote. Que não consegue dançar – algo que virou mania entre os pingüins-imperadores, aliás. Seu filhote que não consegue dançar encontra, entre outro grupo de pingüins, um certo sujeitinho que consegue voar. E fica encantado com a idéia. Resultado? Conflito “pai-e-filho”, claro. Junte a isso um inusitado encontro com um mamífero marinho enfezado (cujo motivo é simples de adivinhar depois de mais alguns minutos de projeção), uma tragédia da natureza e uma dispensável trama paralela envolvendo uma dupla de krills, aqueles pequenos crustáceos que servem de petisco para as baleias, e você tem a fórmula de “Happy Feet 2”. Viva (modo irônico: on)!

Parabéns, Mr.Miller. Quis fazer aí um filme para vender mais uns bonecos fofinhos de pingüins e, ao invés de um ótimo filme, relegou a si mesmo a missão de rodar apenas e tão somente mais um filme divertido com pingüins. Que a gente esquece rapidamente até ver o “Gato de Botas”. Mas, falaê seu Miller: fazer um filme divertido com pingüins é tarefa fácil. Afinal, eles já são divertidos por natureza. Assim como os macacos.

HAPPY FEET 2 – O PINGÜIM (Happy Feet 2)
Direção: George Miller
Vozes originais: Sofía Vergara, Robin Williams, Elijah Wood, Pink, Hugo Weaving, Brad Pitt, Matt Damon, Hank Azaria
Dublagem brasileira: Daniel de Oliveira e Sidney Magal

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