24/04/2012

.: CINEMA .: O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida


Meu instinto de cinéfilo sempre me alerta para não acreditar em filmes com “grife”. Você sabe, daquele tipo que, em todos os momentos possíveis, faz questão de lembrar que é “dos mesmos criadores de...” ou dos “mesmos produtores de...” ou qualquer que seja a variação possível. É o caso desta animação “O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida” – alardeada como sendo dos mesmos criadores de “Meu Malvado Favorito”. Este último é uma peça rara, um filme despretensioso e pelo qual não se dava nada mas que, de maneira surpreendente, se mostrou um dos lançamentos mais gostosos daquele ano, com personagens carismáticos e brincando com o politicamente incorreto sem deixar de ser “fofinho”. No entanto, este está longe de ser o caso de “O Lorax”, uma produção com ares de Tim Burton (em especial no visual mezzo gótico, mezzo non-sense) mas que mergulha na perigosa armadilha dos eco-chatos.

Mais uma história baseada nas lisérgicas obras do Dr.Seuss (“O Grinch”, “Gatola na Cartola”), um verdadeiro clássico infantil na terra do Tio Sam, “O Lorax” mostra uma cidade artificial de plástico, na qual as plantas não existem e o ar puro é comercializado por um baixinho egomaníaco e com ares de supervilão. A trama gira em torno de Ted, um menino de 12 anos que é apaixonado por uma garota cujo sonho é ver de perto uma Trúfula, um tipo de árvore desaparecido há muito tempo. É claro que o moleque dá um jeito de driblar as regras e, fora da cidade, em um ambiente devastado e poluído, tenta encontrar a planta – mas acaba encontrando um homem recluso e meio maluco, que conta para ele a história do Lorax. O tal Lorax é uma espécie de espírito defensor da natureza, que no passado queria impedir que este mesmo homem usasse as Trúfulas de maneira indiscriminada, mas acabou não conseguindo. E é desta forma que Ted descobre mais sobre o passado de sua cidade e sobre como é possível salvar o futuro.

Além do fato de que o Lorax nem é um personagem assim tão interessante, que aparece bem pouco e com o qual é difícil criar um vínculo até o final da projeção, o meu grande problema com esta película é a sua mensagem ecológica. Para plantar a semente do ambientalismo, é preciso ser menos óbvio, menos padrão, menos genérico e mais sutil, delicado, divertido. Ensinar sem um tom tão carregadamente didático. Concordo com os amigos do Delfos quando eles dizem que “O Lorax” é um filme que aposta quase que na mesma mensagem que “Wall-E”, seguindo uma trama de passos semelhantes, mas de desenvolvimento BEM diferente. “Wall-E” é efetivamente uma história de amor que tem o subtexto ecológico como pano de fundo. Já “O Lorax” usa uma história de amor como pano de fundo para falar de ecologia. Percebeu a diferença?

“O Lorax” tem lá seus personagens engraçadinhos, tem momentos que podem arrancar algumas risadas, tudo bem. É mais do que obrigação dos diretores que o filme os tenha, eu não pensaria em nada diferente. Mas eles não conseguem emocionar e tocar o espectador a ponto de plantar uma semente – o que, bem cá entre nós, era exatamente o que o Dr.Seuss queria, não é?

O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida (Dr. Seuss' The Lorax, 2012) Diretores: Chris Renaud, Kyle Balda Com as vozes originais de: Danny DeVito, Ed Helms, Zac Efron, Taylor Swift, Betty White

Um comentário:

Igor Gall disse...

Talvez eu goste, já que achei Meu Malvado Favorito uma bela porcaria.