22/05/2012

.: QUADRINHOS .: A revolução gay nas HQs de super-heróis = D

Ato 1: A Marvel, enfim, confirmou o que todo mundo já apostava e dava como certo (leia aqui) – o tal casamento que vai acontecer em “Astonishing X-Men #51” será mesmo entre Estrela Polar (ex-Tropa Alfa) e seu namorado, Kyle Jinadu. Trata-se de uma aposta ousada, esta de fazer a primeira união civil homossexual dos quadrinhos de heróis mainstream, justamente em um momento no qual o assunto vem sendo amplamente discutido na terra do Tio Sam (até Mr.Obama disse o que achava, gerando comentários inflamados dos conservadores babacas de plantão). A roteirista Marjoriu Liu afirma que o assunto vai gerar polêmica mesmo dentro da própria história, porque alguns mutantes vão ser contrários à união – e um personagem proeminente vai, inclusive, se recusar a comparecer à cerimônia. Façam suas apostas.

Ato 2: Esta semana, a DC Comics revelou também que vai tirar um “importante” personagem do armário. Mas é bom que se leia bem as entrelinhas: é um “importante” personagem que, até o momento, não tinha dado as caras depois do reboot da editora. Ou seja: querida imprensa não-especializada, esqueça de uma vez medalhões como Batman, Super-Homem, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Aquaman, Flash e demais integrantes da Liga da Justiça. Robin e suas demais encarnações (incluindo o Asa Noturna!)? Nem pensar. Há quem aposte firmemente no Flash conhecido como Wally West, que substituiu Barry Allen até a sua ressurreição pós-“Crise nas Infinitas Terras”. Eu adoraria que eles tivessem culhões para fazer isso com alguém do primeiro escalão. Mas, infelizmente, deve rolar com algum coadjuvante meia-boca - talvez até um vilãozinho de quinta. A revelação ainda não tem data pra acontecer.

Ato 3: Motivado pelas declarações de Grant Morrison (leia aqui), o escritor Scott Snyder – atualmente roteirista da maior revista do personagem nos EUA – resolveu defender o Morcegão e dizer que Batman não é gay. “A orientação de Bruce é Gotham. E é isso. Gothamsexual", disse ele, via Twitter. O termo até que é engraçado. Mas não precisava se dar ao trabalho, vá.

Ato final: O que EU acho? Só quero ler boas histórias. Ponto. Se elas envolvem a orientação sexual dos personagens ou não, tanto faz. Só faço questão de ler uma boa história. E justamente por isso sei que existe um risco enorme, quando se trata de um assunto tão espinhoso e complicado, de termos um roteirista descuidado que aborde o tema de maneira descuidada e com certa dose de preconceito – o que seria um desastre. Na boa? Se o personagem é ou não gay, isso é mero detalhe. Porque, ao contrário do que imaginam alguns idiotas em seus sonhos fascistas, isso não vai transformar os quadrinhos de super-heróis em histórias pornôs com cenas explícitas de sexo entre dois homens – embora, bem cá entre nós, eu nunca tenha visto nenhum marmanjo reclamando das roupas apertadinhas das heroínas peitudas e quase sempre seminuas, com seus seios enormes saltando dos decotes, tão típicos neste tipo de literatura.

Ato final - BÔNUS TRACK: Ah, sobre o casamento gay, em referência ao ato 1 deste post? Como diabos eu poderia ser contra? O casamento é a união para a felicidade de duas pessoas que se amam. E são elas, e apenas elas, que decidem quem elas vão amar e como vão amar. Não tem este papo de “certo” ou “errado”. E, pelamordedeus, não me venha com esta história de que “Deus não fez o homem e a mulher assim” e “na Bíblia está escrito que homens devem ficar com mulheres”, porque, quando chega neste tipo de argumento, eu dou a discussão como encerrada e começo a falar sobre a Marvel ter apagado o passado do Homem-Aranha com um estalar de dedos do Mefisto. Pra mim, um papo BEM mais frutífero do que um blá-blá-blá religioso pra lá de furado.

Um comentário:

Tiago disse...

Acho a iniciativa da Marvel muito mais valida. Eles prepararam o terreno bem melhor, a DC só soltou essa pra não ficar apagada. E convenhamos, o Allan Scott da Terra-2(como estão dizendo por ai) não é lá muito importante pra fazer esse boom todo. Mas como você disse, o importante são boas histórias, independente de qualquer coisa.