15/08/2012

.: QUADRINHOS .: A Morte do Homem-Aranha


Aos desavisados e apressadinhos, vale o aviso: sim, nos quadrinhos, o Homem-Aranha, leia-se Peter Parker, está morto. A história sobre sua morte, aliás, acaba de ser publicada no Brasil, em "Ultimate Marvel #25" (Panini Comics). Mas é bom que se explique: estamos falando do Peter Parker do Universo Ultimate, que é uma espécie de cronologia paralela mantida pela Marvel já há alguns anos, inicialmente como forma de introduzir novos leitores a personagens tratados, em tese, sob uma perspectiva mais "moderna", menos anos 1960 e mais anos 2000. Resumidamente: Peter Parker, o Homem-Aranha Ultimate, está morto; e Peter Parker, o Homem-Aranha da cronologia normal, está vivo. Entendeu? =D

Qual é, então, a importância da morte deste tal Homem-Aranha Ultimate? Eu explico: estamos falando apenas e tão somente do principal título do universo Ultimate, que há anos acumula elogios rasgados do público e da crítica especializada aos roteiros inteligentes e delicados do escritor Brian Michael Bendis, que serve de influência direta para os filmes e para as mais recentes séries animadas do herói. Eu mesmo, fã dedicado do Cabeça de Teia, defendia que a Marvel deveria, de uma vez por todas, esquecer o Homem-Aranha da cronologia normal, sempre envolvido em tramas complicadas e rocambolescas, de qualidade duvidosa, e assumir que o Aranha Ultimate era o único Escalador de Paredes da casa. Afinal, Bendis soube tratar o personagem como se devia, dosando humor e emoção em medidas certas, mesclando ação e tramas corriqueiras, típicas do universo adolescente, sem apelar para estereótipos fáceis e babacas. É triste ver a morte, portanto, de um Peter Parker que era mais Peter Parker do que o original? Sem dúvida. Mas ao ler a história de sua morte, sob o ponto de vista de alguém que acompanha a sua trajetória neste título há alguns anos, é preciso admitir: a morte de Peter Parker faz todo o sentido. Não tinha outra saída.

Pelo tipo de trama que Bendis vinha tecendo para o Homem-Aranha, como pilar central do Universo Ultimate, não tinha outro destino possível para o jovem Parker. Ele era apenas um garoto, um estudante colegial, metendo as caras em situações muito maiores do que poderia suportar, sempre com mais coragem do que se imaginaria. Ele revelou a identidade para quem não deveria, colecionou inimigos poderosos demais, colocou a família em risco diversas vezes justamente por sua inexperiência. A hora da vingança, claro, chegaria. É uma história emocionante, que reúne uma poderosa galeria de criminosos sob o comando de Norman Osborn, o Duende Verde, que perdeu tudo na vida e culpa Peter Parker por seu fracasso. E fechando o ciclo, conforme indica a sucessão de quadros que ilustra este post, Peter pode ter falhado ao defender o Tio Ben. Mas conseguiu cumprir sua missão e salvou a vida de sua Tia May. A cortina se fecha. E que venha Miles Morales. Mas aí a história é outra.



Um comentário:

Rodrigo Parreira disse...

foi Foda ler esta edição :(