04/10/2012

.: MÚSICA .: Resenha .: Rockin’ Beer Tour 25 Anos (Velhas Virgens)


A celebração de 25 anos de estrada das Velhas Virgens, o efervescente sexteto roqueiro conhecido pelas letras sacanas regadas a muito sexo e cerveja, não poderia ter sido mais adequada. Para começar, eles decidiram fazer um CD e um DVD ao vivo – e, vamos e venhamos, é no palco que eles se encontram e mostram a sua verdadeira faceta, sempre meio bêbados e improvisando até dizer chega. O local escolhido, claro, foi um dos redutos mais rock ‘n roll do Brasil: o Bar Opinião, em Porto Alegre. E o jeito que eles encontraram para subsidiar este lançamento foi completamente do-it-yourself: via crowdfunding, os próprios fãs, responsáveis pelo seu sucesso, levantaram mais de R$ 30.000 e tiraram o projeto do papel. Tudo exatamente do jeitinho que tem que ser. Rock na veia, com o perdão do clichê surrado.

“Rockin’ Beer Tour 25 Anos”, o CD, é um registro apuradíssimo do que é a atual formação das Velhas, que venho dizendo há tempos se tratar da mais afinada e inspirada de toda a sua trajetória, até o momento. O show abre com um set acústico, bastante divertido, no qual eles aproveitam para apresentar canções mais antigas de seu repertório e ainda experimentam, ao vivo, faixas com uma vibração diferente como “Gim no Pingado” e a genial “Esse Seu Buraquinho”, que Paulão apresenta como sendo “o mais próximo que conseguimos chegar de Johnny Rivers”. Logo depois, a banda pluga os instrumentos e parte para o ataque, com uma seleção furiosa e preservada no álcool.

Um dos destaques da bolacha é a performance inspirada de Juliana Kosso, a mais acertada escolha para o papel de vocalista feminina da banda. Em um cargo que já teve tamanha rotatividade nos últimos anos, a cantora mostra personalidade e um excelente senso de humor. Em “A Mulher do Diabo”, tradicionalmente reservada a uma voz de mulher, ela esbanja atitude rocker. A seguir, ela toma o lugar de Paulão na balada de dor de cotovelo rasgada, “Não Vale Nada”, e canta com o coração na ponta do microfone. No papel da vagabunda de “Abre Essas Pernas”, o mais clássico dos clássicos das Velhas, ela reage aos gritos de “Puta! Puta!”, xingando a plateia de todos os palavrões disponíveis no seu repertório... e arranca gritos delirantes dos marmanjos de plantão, ao mesmo tempo empolgados e surpresos com o ataque de feminismo. Lá na frente, a moça chega ao seu ponto alto, em “B.U.C.E.T.A.”, quando alterna entre deliciosos sussurros sensuais e momentos de fuleiragem total e completa, encarnando um verdadeiro Paulão de saias.

E por falar no Paulão, obviamente, o sujeito é o outro grande ponto alto da apresentação – mas isso já é fato corriqueiro. Em “Histórias de 1986”, ele arranca gargalhadas do público ao relembrar diferentes fatos que coincidiram com a formação da banda, incluindo saudações a ídolos como Mussum e Seu Madruga, aplaudidos entusiasticamente. Lá pelas tantas, já nitidamente tomado pela cerveja, ele abre espaço para o seu stand-up pessoal em “Siririca Baby”, incentivando os casais presentes a fazerem uma sessão conjunta de masturbação para satisfação dos respectivos parceiros. Simplesmente hilário. Um toque de mestre em um show imperdível.

Line-up
Paulão de Carvalho - Vocal
Juliana Kosso - Vocal
Roy Carlini - Guitarra
Alexandre Cavalo Dias - Guitarra
Tuca Paiva - Baixo
Simon Brow - Bateria

Tracklist
CD 1:
1. O que somos nós
2. Domingo na praia
3. Excesso de Quórum
4. Histórias de 1986
5. Gim no Pingado
6. Essa tal de Tequila
7. Eu bebo pra esquecer
8. Esse Seu Buraquinho
9. Bafo de Jibóia
10. Tô correndo
11. Eu Toco Rock'N'Roll
12. Só Pra te Comer
13. Muito Bem Comida
14. A Mulher do Diabo

CD 2:
1. Não Vale Nada
2. Sr.Sucesso
3. Homem Lindo
4. Abre Essas Pernas
5. Uns Drinks
6. Beijos de Corpo
7. O Que é que a Gente Quer? (B.U.C.E.T.A.)
8. Siririca Baby / De Bar em Bar pela Noite
9. Hino dos Solteiros
10. Eu Toco Rock'N'Roll

Bônus
We Play Rock

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