04/10/2012

.: QUADRINHOS .: Fade Out – Suicídio Sem Dor

Tudo bem, sou fãzaço da geração Chiclete com Banana, que botou pra quebrar no udigrudi dos quadrinhos nacionais lá pelos anos 80. Angeli e Laerte são mestres, dois dos meus ídolos pessoais. Mas me sinto completamente confortável para dizer que, como leitor de gibis, vejo a atual geração de quadrinistas nacionais como uma das mais criativas, senão “A” mais, dos últimos tempos. E, veja bem, esta não é uma afirmação focada apenas e tão somente nos nomes mais, digamos, hypados, como Rafael Grampá e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá.

A recente graphic novel “Fade Out - Suicídio sem Dor”, que o Observatório Nerd teve o prazer de receber diretamente de seus autores, pode ser incluída neste rol. Inicialmente planejada para ser lançada pela Via Lettera, acabou saindo mesmo de maneira independente, mesclando generosas doses de cultura pop a uma “dramédia” de humor negro. Na equipe de “Fade Out - Suicídio sem Dor”, apenas o colorista Marcelo Maiolo é veterano no babado, com algum tempo de trabalho para editoras como a DC Comics. O roteirista Beto Skubs e o desenhista Rafael de Latorre são novatos no ramo mas, cá entre nós, não fazem feio. Na verdade, a história tinha sido inicialmente desenvolvida como um roteiro de cinema, mas tornou-se quadrinhos graças a um prêmio do Estado de São Paulo para produção de histórias em quadrinhos, o ProAC.

O protagonista é um jovem chamado Kurt, que já começa a pensar em suicídio na primeira página. Ao longo das revelações envolvendo um certo serial killer e uma nova e misteriosa garota que pinta em sua vida, ele começa a repensar seu futuro e sua própria existência. Dá até para imaginar isso num formato curta-metragem, com um camarada tipo Caio Blat no papel principal. Tudo bem que, na conclusão, a coisa aparentemente parece descambar para uma ficção um tanto fora da realidade. Mas, acredite: combina perfeitamente com o desenrolar da história.

Vale ainda menção ao traço de Latorre, que é jovem e ágil, com uma discreta referência mangá, lembrando bastante a italiana Sara Pichelli, que anda ilustrando os quadrinhos ultimate do Homem-Aranha.

“Fade Out - Suicídio sem Dor” é uma ótima diversão em formato HQ – diversão inteligente, moderna, urbana e dinâmica, sem qualquer necessidade de recorrer às instâncias-clichê que infestavam o gênero. Traçando um paralelo com cinema: "Fade Out" não é favela movie ou sertão movie . É blockbuster pop de excelente qualidade.

Fade Out - Suicídio sem Dor
Formato 18 x 28 cm
64 páginas
R$ 19,90

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