02/10/2012

.: QUADRINHOS .: Vingadores vs. X-Men, a grande cartada da Marvel?



Nos últimos anos, a coisa que a Marvel (e, por tabela, a DC, sua eterna concorrente) mais tem feito é apostar em megasagas, daquelas que colocam todos os seus heróis em batalhas épicas contra um mal tão imenso e insuperável que apenas um único herói jamais conseguiria dar conta sozinho em seu próprio título. Veja, não que o expediente seja dos mais inéditos para as editoras que publicam super-heróis (“Crise nas Infinitas Terras”, oi? “Guerras Secretas”, alguém mais?). Mas digamos que, de quatro ou cinco anos para cá, eles se tornaram praticamente os alicerces da continuidade das duas grandes – que por vezes acertam (como em “Guerra Civil” e “Crise de Identidade”) e por vezes falham miseravelmente (como na sonolenta “A Essência do Medo”).

Nos últimos meses, a Marvel tem investido todas as suas fichas em mais uma destas sagas de incríveis proporções – e que, curiosamente, tem como foco um crossover que a própria editora já promoveu dezenas de meses. Tudo bem que em “Vingadores vs. X-Men” temos um confronto contra a Força Fênix, uma entidade cósmica destruidora que é um dos mais poderosos inimigos do nosso simplório planetoide azul. E é claro que a promessa é que, depois desta minissérie, tudo vai mudar e nada mais vai ser como antes na Casa das Ideias (tá bom, eles estão promovendo o seu tal relaunch criativo mas, cá entre nós, quantas vezes já não escutamos este papinho furado...?). Essencialmente, no entanto, tudo gira em torno de um luta entre seus dois principais supergrupos e que já aconteceu tantas e tantas vezes. Eu mesmo já me lembro de ter lido este confronto, sei lá, umas quatro ou cinco vezes. E só puxando de memória bem por alto.

Por que, então, colocar “Vingadores vs. X-Men” de maneira tão intensa sob os holofotes? A resposta, meus caros, pode estar fora dos gibis. O segredo pode muito bem estar no cinema.

Vejamos: sob a recente batuta do mais do que competente Brian Michael Bendis, rapidamente os Vingadores se tornaram muito maiores do que os X-Men nas HQs da Marvel. Isso é público e notório. Nas telonas, os x-filmes da Fox foram rapidamente esquecidos enquanto a Marvel pavimentava o seu caminho para a explosão que foi “Os Vingadores” com divertidíssimos filmes-solo para Homem de Ferro, Hulk, Thor e Capitão América. Não fosse pelos resultados do ótimo “X-Men: Primeira Classe”, a Fox deveria se envergonhar do que vinha fazendo com as franquias que adquiriu da Marvel – já que, além dos mutantes, o estúdio da raposa tem em suas mãos o Quarteto Fantástico e tinha, até pouco tempo, o Demolidor, que acaba de retornar para o seu lar, doce lar.

Com um sucesso retumbante como “Os Vingadores” em mãos, a Marvel pode muito bem ter percebido que era hora de reforçar novamente seus x-heróis, que andavam meio em baixa desde que alguém teve a brilhante ideia de fazer aquele asqueroso “X-Men Origens: Wolverine”. Então, ora bolas, vamos colocar todo mundo junto! Sim, caro leitor, é isso que vai acontecer, como já se sabe, no final de “Vingadores vs. X-Men”. Teremos uma equipe que mistura vingadores e mutantes (e que vai se chamar “Uncanny Avengers”, entendeu? Hein?), teremos mutantes como parte da equipe principal de vingadores, uma salada só. E tudo sob a desculpa de que o Capitão América se arrependeu do tratamento que vinha sendo dado por ele, em seu papel de braço-direito do governo pós “O Cerco”, aos geneticamente superiores. Sei, Steve Rogers. Me engana que eu gosto.

Tentemos ler as entrelinhas: a molecadinha de hoje não fala de outra coisa que não sejam “Os Vingadores”. Vamos misturá-los, nas HQs, a um bando de camaradas superpoderosos que andavam meio em baixa para fortalecer as próximas produções da Fox. Tem filme novo do Wolverine chegando? Sabia que o Wolverine também faz parte dos Vingadores? Pois é. A franquia da Fox ficando mais forte, melhor para a Marvel, que ganha ainda mais em royalties dos seus personagens e também dos produtos licenciados. E quem sabe até, num futuro distante, quando o contrato entre Marvel e Fox estiver para se extinguir, fique até mais fácil para ganhar os Filhos do Átomo de volta...

Teoria da conspiração demais? Pode ser. Mas não vamos nos esquecer de que os gibis são, antes de tudo, negócios. E para que um bom negócio prospere, ele precisa ter planos a longo prazo. Mais do que uma Casa das Ideias, a Marvel é uma empresa. E empresas querem ganhar dinheiro. Nunca, mas nunca se esqueçam disso, moças e rapazes.

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