25/02/2013

.: CINEMA .: Dredd


Sinceramente, acho que “Dredd”, a nova adaptação do anti-herói futurista das HQs inglesas, mereceria ter uma melhor chance nos cinemas. A performance do lançamento, tanto nos EUA quanto aqui no Brasil, foi vexatória. E trata-se de um destino bastante injusto para um filme bacana, infinitamente superior à versão anterior, estrelada por Sylvester Stallone, não apenas como adaptação do material original, mas também como uma película de ação.

“Dredd” tem uma história melhor resolvida, mais autocentrada, sem exageros e sem firulas. É uma trama enxuta, com poucos e bons personagens, sem necessidade de didatismo sobre o universo dos juízes ou mesmo sobre as megalópoles futuristas corporativas. Não é uma história de origem. É meramente uma de muitas histórias vividas pelo juiz. Meio que “apenas mais uma quinta-feira”, sem necessidade de ameaças globais ou inimigos épicos.

Karl Urban pode não ser uma imensa montanha de músculos como o Dredd desenhado por Simon Bisley, mas tem a postura certa para imprimir a seriedade quase maníaca de um homem que age como uma muralha de ordem em meio a um mundo tomado pelo caos. E o mais importante: ele não tira o capacete jamais. Nunca. Porque, afinal, ele é mais do que um homem que se esconde sob uma máscara. Ele é, como V, um conceito. No caso dele, a lei. A justiça encarnada. Com um excelente repertório de armas pesadas e frases de efeito.

“Dredd” não fica se esforçando para parecer demasiadamente futurista, aliás. A imensa favela em formato de prédio na qual se passa a maior parte da trama é tão contemporânea quanto qualquer prédio suburbano e marginal que você possa imaginar – porque, apesar dos exageros, qualquer cidade-monstro como São Paulo ou a Cidade do México está a um passo de tornar-se algo como a gigantesca Mega City One. A questão da tal droga slo-mo, que acaba fazendo com que Dredd e uma novata que está avaliando acabem ficando presos na estrutura de concreto, por obra de uma gangue que não quer que a informação sobre o local de produção vaze e acabe com seu negócio de ouro, até que é interessante. E o efeito especial em câmera lenta, como se a pessoa que usa o entorpecente estivesse com o metabolismo e os sentidos desacelerados, é bem bacana, gerando pelo menos uma grande sequência de tiroteio. Mas este acaba não sendo o foco do filme.

"Dredd” gira basicamente em torno da dicotomia entre o oficial durão e sem sentimentos e sua comandada, a emotiva e impulsiva médium que quer ter uma chance de tornar-se juíza. Caçados andar a andar enquanto carregam com eles uma testemunha em potencial, eles destilam violência em cenas sem dó nem piedade, explodindo sangue e miolos exatamente como os leitores da revista original esperariam.

Faltou, talvez, um pouquinho mais de humor negro, elemento crucial das histórias do juiz. Mas, no fim das contas, acho que entendo a decisão da produção: se nem deste jeito eles conseguiram fazer com que a película caísse de fato no gosto do público, imagine só se tivessem pesado ainda mais a mão.

Se alguma coisa me decepcionou no filme, foi não ter ouvido “I’m The Law”, a lendária música do Anthrax especialmente dedicada ao personagem, tocando nos créditos finais. Teria sido, literalmente, encerrar com chave de ouro.

 

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