02/02/2013

.: MONDO NERD .: A crítica cultural cinzenta


Levar o jornalismo a sério é uma coisa. Outra coisa, e que me dá uma preguiça danada, são aqueles jornalistas de cultura que se levam a sério demais em sua postura de detentores universais da verdade absoluta sobre o que é bom ou não. Precisa?

Será que é MESMO o caso de fazer uma elaborada análise antropológica de um filme besteirol, cujos objetivos, independente dos seus gostos pessoais, são claríssimos desde o primeiro trailer? Será que é preciso analisar uma sátira com roteiro de boteco usando os mesmos critérios de rigor estético que você usaria para analisar, sei lá, Tarantino, Godard, Kiarostami, Almodóvar? Será que é preciso subestimar o seu leitor a ponto de dizer que um determinado filme é feito para boçais (true story!)?

Na boa. Exagero. Dos grandes. Pode ter odiado o filme. Pode falar mal. Mas dizer que os fãs deste gênero são boçais, na real, é ultrapassar uma linha bastante delicada. Este é um julgamento de valor que os próprios jornalistas das antigas sempre condenaram. Acho que, em alguns casos, os velhos jornalões poderiam aprender a rir de si mesmos com a internet.

Poderiam aprender mais jogo de cintura, mais flexibilidade, mais sacadas. Porque fazer crítica de filme, de música, de livro, não precisa ser sempre um processo sisudo, cinzento, tempestuoso. Cobrir cultura e entretenimento está longe de ser a mesma coisa que cobrir tragédias urbanas, corrupção em Brasília, atentados terroristas na Faixa de Gaza.

Valeria a pena dar uma olhada no que certos blogs andam fazendo. Li, na web, pelo menos umas cinco críticas ao mesmo filme, todas elas falando mal do dito cujo. Mas todas analisando de um jeito diferente, mais gostoso, mais saboroso. O público mudou. Entender isso seria um importante exercício criativo. Porque não tem problema nenhum em sacanear. Mas que sacaneie com estilo, e não com truculência.

Pela mãe do guarda.

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