29/05/2013

.: 5 PERGUNTAS PARA... Raphael Fernandes

O projeto: Financiamento coletivo, via Catarse, “Apagão - Cidade Sem Lei/Luz”, projeto independente do roteirista e editor da revista MAD Raphael Fernandes e do desenhista Camaleão.
A história: Um blecaute misterioso leva a cidade de São Paulo ao caos. Um território sem lei em que gangues brigam pelo poder. Nesse meio, um grupo, os Macacos Urbanos, tentam proteger a população. Treinados em Le Parkour, skate, capoeira, grafite e técnicas de sobrevivência por Apoema, os Macacos são os únicos capazes de trazer alguma ordem às trevas da maior cidade da América do Sul.

1) Estas novas formas de financiamento coletivo via web são o empurrão que faltava para que os quadrinistas brasileiros independentes conseguissem tirar seus projetos do papel, saindo de vez da era dos fanzines?
Na verdade, a era do fanzine acabou com o surgimento do quadrinho independente com qualidade de impressão, que se deu com a popularização dos custos gráficos. O grande epitáfio foi o surgimento do coletivo Quarto Mundo, que fez com que toda uma geração de autores independentes conquistassem um espaço. Sem falar no crescimento de comic shops, editoras interessadas e em grandes nomes que publicam no mundo todo (Fábio Moon, Gabriel Bá, Rafael Coutinho), publicarem por aqui também e de forma independente. O financiamento coletivo é mais uma opção para o quadrinho nacional e sera o berço de frandes projetos. Assim como é o Proac e as leis de incentivo regionais.

2) Na sua opinião, "Apagão" é uma história que tem mais elementos de ficção ou mais de realidade? O quanto esta história poderia acontecer de fato?
Acredito que a pergunta seja, ela será realista ou terá uma maior base fantástica? Sinceramente, eu vejo como uma distopia que apesar de ter os pés na realidade, busca ter momentos fantasiosos. A ideia é que seja uma visão apocalíptica sobre São Paulo, como isso não aconteceu ainda... tudo não passa de um exercício imaginativo.

3) Ambientar este tipo de história, com elementos de ação e aventura, em uma cidade como São Paulo, hoje em dia já é viável? Ou os leitores ainda estão acostumados ao eixo Marvel/DC e só conseguem ver uma história assim acontecendo em Nova York?
Cara, é possível fazer qualquer tipo de historia em São Paulo, mas as que realmente fazem sentido são imaginadas com a nossa cultura. Você nem consegue um cara com roupa colante voando pela cidade, mas ficaria fascinado por uma história em que um garoto percebesse que era telepata dentro do metrô na hora do rush e enlouquecesse com o excesso de pensamentos estranhos. O limite é a nossa mente. Precisamos aprender a consumir a cultura do mundo e transformar na nossa sem se entregar aos clichês.

4) Pode ser uma questão óbvia, mas acho interessante para desvendar um pouco do processo de criação: conta um pouco pra gente como foi que você chegou no tema desta história? Faltou luz no seu bairro e você já imaginou um cenário apocalíptico? ;)
Quase isso! Em 2009, estava no show do Gogol Bordello e quando saí havia acabado de rolar aquele blecaute que tomou o Brasil e parte da América do Sul. O rádio tinha apenas uma estação dando notícias e os celulares estavam mudos. A cidade vazia e apagada. Voltei voando de carro. Achei aquilo muito impressionante. Depois fui juntando ideias.

5) Se hoje um apagão como o da sua HQ acontece de fato sobre um grande centro urbano brasileiro, ao lado de quem você sugere que fiquemos? A salvação seria mesmo nos tornarmos Macacos Urbanos?
Se isso acontecesse, eu protegeria minha família e juntaria um grupo de amigos para me proteger das outras pessoas. Portanto, não seja uma pessoa inútil, aprenda o máximo que puder antes do Apagão chegar.

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