07/05/2013

.: QUADRINHOS .: Gavião Arqueiro: um coadjuvante de luxo?

Definitivamente, esta história de arco e flecha carrega uma mítica e tanto. Senão, vejamos: quem é o personagem mais estiloso de O Senhor dos Anéis? Oras, é claro que é o Legolas! Quem nunca jogou D&D com um personagem estilo "elfo arqueiro", aliás? Na literatura, o nome "Robin Hood" é sinônimo de aventura. E na DC Comics, quem é o herói mais bacana de todos? É óbvio que é aquele sujeito ranzinza, mal-humorado, machista e metido a anarquista que atende pelo nome de Arqueiro Verde. Se a gente for dar um pulo na concorrência, portanto, dá muito bem para relembrar um certo herói que a Marvel vem tratando com pleno descaso nos últimos anos. Mesmo assim, sendo constantemente colocado no papel de coadjuvante, é inegável: o Gavião Arqueiro é demais! :-)

Irônico, cara de pau, pavio curto, brigão, mal-educado, desafiador e completamente avesso a qualquer tipo de autoridade, Clint Barton é aquele tipo de herói meio bad boy, que caminha no limiar do bem e do mal. Mas, diferente do Wolverine, o Gavião é um personagem interessante justamente porque ele se assume como canastrão e gosta disso - ele não fica tentando ser cool e nem fazendo cara de mau o tempo todo. Isso fora o seu senso de humor tão afiado quanto as suas flechas. Para quem já lê quadrinhos há algum tempo, Barton é um velho conhecido. Na verdade, ele começou a sua carreira como vilão. Quando criança, o jovem Clint fugiu do orfanato para se juntar ao circo, onde foi treinado pelo misterioso Espadachim (vilão clássico dos Vingadores).

Quando descobriu que seu mestre era, na verdade, um bandidão de primeira, Clint ficou desapontado e fugiu para seguir seu próprio caminho. Inspirado pela aparição do Homem de Ferro, o garotão resolveu criar sua própria identidade secreta, fazendo uso de um uniforme colorido. Bingo: surgia o Gavião Arqueiro. Levado por uma ruiva deliciosa chamada Viúva Negra (que, em plena Guerra Fria, ainda era uma vilã), Barton chegou a cometer alguns atos nada elogiáveis... Na verdade, nosso simpático Gavião nunca se deu muito bem com as mulheres.

Quando finalmente se regenerou e ganhou uma chance nos Vingadores, Clint ficou devastado ao descobrir o envolvimento de Natasha com o Demolidor. Então, o arqueiro começou a arrastar uma asa para a Feiticeira Escarlate - herdeira de Magneto e que, junto com o irmão Mercúrio, também ganhava uma chance nos Vingadores para provar que tinha abandonado os atos criminosos de outrora. Mas ela preferiu o Visão (que, aliás, é outro dos meus personagens favoritos). E foi quando o Gavião abandonou os Vingadores pela primeira vez - fato que se repetiria com certa frequência nos anos seguintes, especialmente graças aos atritos com figuras de autoridade como o Capitão América.

Antes de decidir que seria mesmo o bom e velho Gavião, Clint ainda assumiu o manto do Golias - chegando inclusive a usar a fórmula secreta do Dr. Hank Pym. Mas não deu muito certo e seu organismo não se adaptou a esta história de crescer e encolher o tempo todo. Depois de passar um período como um detetive particular sem pretensões super-heroísticas, Barton deixou a frescura de lado e voltou a ser o Gavião Arqueiro que nós amamos. Com uma breve passagem pelos Defensores no currículo, o herói e suas flechas foram promovidos ao posto de liderança no novo destacamento de sua equipe de origem. À frente dos Vingadores da Costa Oeste, tivemos alguns dos momentos mais divertidos da vida do personagem - que provou ser uma espécie de Besouro Azul da Marvel. A equipe era bem estranha (formada por Magnum, Vespa, Tigresa, Feiticeira Escarlate e Visão, entre outros), com toques de humor a la Keith Giffen e J.M. de Matteis. Quem aí se lembra do clássico confronto com os Vingadores Centrais? Homem-Imortal, Big Berta, o Porta... :-)

Foi nesta época que o Gavião teve um quebra-pau memorável com o Agente Americano - aquela cópia barata do Capitão América que o governo dos EUA insistia que fizesse parte da equipe. Foi coisa bem violenta mesmo, de arrancar dente, tirar sangue e rolar barranco. E também foi nesta época que o nosso herói tomou jeito e casou - a vítima foi uma super-heroína parecidíssima com a Canário Negro, chamada Harpia. Pouco depois, a garota seria morta por um supervilão chamado Mephisto (não confundir com o diabão da Casa das Idéias, plis) e, transtornado, o Gavião ajudaria na dissolução da equipe. Durante algum tempo, ele chegou a trabalhar com a Força Tarefa - grupo revoltado criado pelo Homem de Ferro como resposta aos problemas que se abatiam sobre os Vingadores. Mas não se tornou membro efetivo.

Depois de algumas idas e vindas, o retorno triunfal do Gavião se deu alguns anos pra frente, quando a verdade sobre os Thunderbolts foi exposta. Mesmo arrependidos e longe da influência do Barão Zemo, os ex-supervilões não conseguiam ganhar novamente a aceitação pública. Até que, finalmente, Clint Barton se ofereceu para liderar o time - sim, ele mesmo, que outrora fora um vilão e tivera que conquistar a confiança do restante dos Vingadores. Com a pena afiada de Kurt Busiek, o Gavião passou excelentes momentos neste título - que, como era de se esperar, acabou cancelado. Depois de sua morte na saga “Dinastia M”, quando a Feiticeira Escarlate pirou e desmantelou os Vingadores – além, é claro, de erradicar quase toda a população mutante do planeta – achou-se por algum tempo que o Gavião ia acabar sumindo de circulação definitivamente.

Mas parece que Brian Michael Bendis, o homem que foi um dos principais responsáveis por transformar os Vingadores em uma das franquias mais rentáveis da Marvel nos últimos anos, revitalizada antes mesmo do lançamento do filme, gostava tanto do personagem quanto eu. Trazido da terra dos pés juntos inicialmente sob a identidade de Ronin, Barton foi ganhado espaço na equipe, crescendo. Sua versão no universo ultimate, dentro do grupo conhecido como Os Supremos, também se tornou favorita dos fãs, com uma aura um pouco mais cínica e bem mais letal do que a da versão original – que, pouco depois, começaria a ser influenciada pela pegada da cronologia alternativa.

Isso até que alguém resolveu escalar o oscarizado Jeremy Renner (“Guerra ao Terror”) para o seu papel na versão cinematográfica do grupo de heróis da Marvel. Bola mais do que dentro, Renner encarnou com perfeição o espírito sacana de um personagem que, ao longo do filme, controlado por Loki, consegue dar um baile em praticamente todo o time. Um soldado infalível, misturando elementos da versão clássica e do Gavião ultimate, passou a usar um uniforme mais estiloso e estilizado, simplificado e sem a máscara. A mudança, obviamente, acabou migrando para os gibis, já que Barton também ganhou sua parcela de novos fãs. O resultado foi o surgimento de um gibi próprio para o herói, com roteiros ágeis e divertidos a la Tarantino e um tipo de arte pop minimalista, cortesia do espanhol David Aja, que lhe deu uma bem-vinda aura de modernidade.

Que os próximos anos continuem soprando bons ares para que as flechas do Gavião voem ainda mais longe – dá até para sonhar com um filme-solo do cara, não é mesmo? Pô, Disney, me ajuda aí (Datena-style)!

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