24/07/2013

.: MEMÓRIA NERD .: Os Seis Biônicos

"Biônicos / Somos os seis / U-hu/ U-huuuu / Sempre Unidos / Nunca Vencidos". Era com esta musiquinha que começava um dos grandes clássicos dos desenhos animados dos anos 80, e que até hoje deixa saudades: "Os Seis Biônicos" (The Bionic Six). Como era comum na época, a série foi criada por uma empresa de brinquedos esperando criar personagens fortes o suficiente para lançar sua série oficial de bonequinhos e vender como água. Foi assim com "Tranformers" e "Comandos em Ação", criados pela Hasbro e que venderam zilhões de "action figures". O LJN Toys acertou a mão com "Thundercats", mas meteu o pé na jaca com "Silverhawks" e "The Bionic Six". É verdade: as aventuras da família Bennett foram muito mal nos States, e o seriado durou só dois anos (foi até 89, já que estreou originalmente em 87).



Ora vamos: a animação não era lá estas coisas, vá lá. Tinha aquele ar anos 80 cheio de erros de continuidade, admito (que até os Transformers tinham sim senhor!). Mas as histórias eram muito divertidas e os personagens, cheios de carisma pra dar e vender. Especialmente os vilões, do Escaravelho ao simpático Mecânico (com certeza, o melhor personagem da série). Eles tinham seus conflitos familiares típicos do "Caras e Caretas" enquanto combatiam o crime com aquele enorme jato que saía de dentro do mar (lembram disso?).

A história

Well, a saga se inicia numa expedição pelas montanhas, quando um casal, aparentemente sem identificação, sofre um terrível acidente. Os dois são salvos pelo genial Prof. Amadeus Sharpe, que os leva para seu laboratório secreto (construído com dinheiro sabe-se lá de onde). Lá, ele descobre que a única maneira de curá-los é enxertar neles seus maravilhosos dispositivos biônicos. De volta à vida, eles se tornam Jack e Helen Bennett, um típico casal suburbano e que, nas horas vagas, combate o crime sob as alcunhas respectivas de Biônico-1 e Biônico-2 (mais tarde, Helen passa a ser conhecida como "Mãe-Biônica"). Seus corpos modificados lhes trouxeram inusitados super-poderes: enquanto o quarentão Biônico-1 é muito forte, resistente e rápido (quase um pacotão de habilidades a la Super-Homem, com direito a ser um verdadeiro Rodolfo Bottino na cozinha da casa), sua esposa é uma poderosa telepata, que tem na projeção de hologramas sua principal habilidade.

Anos mais tarde, com o enlouquecimento do irmão de Amadeus, Wilmer (que se tornaria o supervilão e poço de banha conhecido como Escaravelho), foi necessário um aumento na equipe. Então, quatro jovens, salvos de diferentes acidentes pelo doutor Sharpe, também têm seus corpos alterados para formarem o supergrupo conhecido como...Os Seis Biônicos. O disfarce para sua atividade como super-heróis era perfeito: uma típica família do subúrbio norte-americano. Tudo seria lindo e maravilhoso se não pensarmos em dois detalhes: a) nenhum deles usa máscaras, logo seria mais do que simples saber quem diabos eles são e b) como se explica que um casal de caucasianos de cabelos castanhos tenha dado a luz dois gêmeos loiros, um negro e um japonês????????? Nota: em nenhum momento eles afirmam, para efeito de disfarce, que os filhos são adotados.

Bom, é hora de apresentar as crianças:

- Meg Bennett/ Rock 1: A adolescente típica e musa do desenho. Sempre mascando chiclete, tem supervelocidade e pode disparar poderosas rajadas sonoras. Tem um apático namorado, Bim, para quem ela não pode contar a verdade sobre o que costuma fazer aos sábados a tarde por motivos óbvios.

- Eric Bennett/ Sport-1: Irmão gêmeo de Meg, o loirinho daria um perfeito "quarto irmão Hanson". É viciado em esportes, especialmente beisebol. Por sinal, seu super-poder, a agilidade, é complementado pelas poderosas rajadas de energia que rebate com seu inseparável taco. Está sempre (sempre mesmo) de boné.

-J.D. Bennett/ I.Q. (no Brasil, Q.I.): O único negro da família, J.D. não desgruda de seus óculos amarelos meio clubber. Além dos poderes básicos que os biônicos já tem naturalmente (força-resistência-rapidez-agilidade), ele é o mais inteligente de todos. Resolve as mais complicadas tramas e soluciona mistérios que nem o Scooby-Doo conseguiria.

- Bunji Bennett/ Karate-1: Como dá pra perceber, é o oriental do grupo (que, de tão interracial, lembra muito as recentes formações dos Power Rangers). Pelo nome, já dá pra sacar que ele pratica artes marciais, e é o mais ágil dos seis.

Como não podia deixar numa família de verdade, Os Seis Biônicos têm seu próprio mascote, o F.L.U.F.F.I. No entanto, quem acha que se trata de um pequeno cachorrinho fofinho tipo o Bandit do "Johnny Quest", se engana: na verdade, é um enorme gorila totalmente mecânico, superforte e completamente desastrado.

Ah, estes adoráveis vilões...

Os heróis de "Os Seis Biônicos" podem ser legais, interessantes e tudo o mais, mas o grande destaque do desenho são mesmo os vilões. Muitos deles você mal consegue odiar, de tão carismáticos que são os personagens. A começar pelo líder, o balofo cientista conhecido como Escaravelho (Scarab, no original em inglês). Elaborando os planos mais complicados, como nenhum Cebolinha do mundo conseguiria, ele tenta alcançar o objetivo clássico: dominar o mundo (e quem não quer?). Mas ele está cercado por uma tropa de ajudantes que mais parecem atrapalhar do que ajudar. Seu braço direito, Glove, é leal mas muito ambicioso, e quer tomar o lugar do Escaravelho a qualquer custo. Seus poderes basicamente se baseiam nas traquitanas que sua enorme luva possui: de raios laser a mísseis teleguiados, passando até por barbeadores e saca-rolhas.

Aproveitando-se da ambição desenfreada de Glove, a misteriosa Madame O faz de tudo para colocá-lo contra o Escaravelho e vice-versa, esperando que das cinzas de uma possível batalha entre eles surja uma oportunidade para que ela mesma se torne a líder da gangue. Nunca tira sua máscara e sempre chama todo mundo de "querido". Com uma espécie de harpa, dispara poderosas rajadas sonoras, e é a principal algoz da jovem Meg Bennett.

Integrando a casta dos "bucha de canhão" está o barulhento Chopper, um motoqueiro daqueles clássicos, do tipo "Born to Be Wild", que usa como arma uma polivalente corrente. O mais bacana é a voz dele, rosnando como uma motocicleta, parece a da moto líder da gangue do desenho animado "Carangos e Motocas" (vocês lembram do "Mas eu te disse, eu te disse?").

Mas como eu já tinha dito (e repito sempre), o personagem mais bacana da série é o Mecânico. Enorme, musculoso e muito, mas muuuuuuuuito forte, Mecânico é burro como uma porta. No entanto, é daquele tipo adorável, muitas vezes inofensivo. Carinhoso, é fanático por coisas fofinhas e bonitinhas, como ursinhos, cachorrinhos e toda sorte de bichinhos de pelúcia. Na categoria "burros e fortões", a equipe do Escaravelho é completada pelo nojento Klunk, uma criatura que mais parece uma espécie de geleca derretida (ou chiclete mastigado, como diria o Destruidor). Na verdade, se trata da primeira tentativa do irmão do Dr.Sharpe em tornar um ser humano biônico (e vejam só a merda que ele fez tentando copiar o maninho gênio). Por último (mas não menos importante), vale lembrar que o Escaravelho conta com uma simpática tropa de robôs, os Cyfrons, muito parecidos com os droids de combate do "Guerra nas Estrelas - Episódio 1".

Divertido, simpático, empolgante, tão cheio de aventura quanto humor. O que diabos você está esperando para fazer um abaixo-assinado, para quem quer que seja, exigindo o retorno deste desenho às nossas telinhas?

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