31/07/2013

.: MONDO NERD .: Livro de Ray Bradbury ganha edição no Brasil

“Os meninos se abaixaram, sorrindo. Pegaram as flores douradas. As flores que inundavam o mundo, gotejavam de gramados em ruas de tijolos, batiam delicadamente nas janelas do porão de cristal e se agitavam tanto que, por todos os lados, havia o deslumbramento e o resplendor do sol liquefeito.
— Todo ano — disse o avô. — Elas atacam às cegas. Eu deixo. Orgulho de leões no quintal. Olhe, e elas queimam um buraco na sua retina. Uma flor comum, um mato que ninguém vê, isso sim. Mas, para nós, uma coisa nobre, o dente-de-leão.
Assim, apanhados com cuidado, em sacos, os dentes-de-leão eram carregados para baixo. O porão escuro brilhava com sua chegada. O lagar estava aberto, frio. Um afluxo de flores o aqueceu. O lagar reposicionado, sua tarraxa girando, torcida pelo avô, espremendo gentilmente a safra.
— Aqui... Assim...
A maré dourada, a essência daquela linda chuva do mês, depois vertida do bico abaixo para ser alquebrada, escumada de fermento e engarrafada em vidros de ketchup limpos, depois alinhados em filas cintilantes no escuro do porão. Licor de dente-de-leão.”
Para a maioria das pessoas pode ser óbvio, mas será que elas já se perguntaram se estão realmente vivas? Essa questão é o ponto de partida do memorável romance de Ray Bradbury e o momento que marcou o início do verão de 1928 na vida do protagonista Douglas Spaulding, de doze anos.

Na cidadezinha de Green Town, no interior dos Estados Unidos, alguns personagens extraordinários se unem nesse verão tão especial na vida de Douglas: o inventor que redescobriu os prazeres da vida ao construir a Máquina da Felicidade; o jovem repórter que se apaixonou por uma idosa de 95 anos; o contador de histórias que conseguiu falar com o passado telefonando para um lugar distante.

Bradbury mostra sua genialidade na melhor forma. As descrições ao longo das páginas são perfeitas e formam, na cabeça do leitor, a ideia exata do que ele quer contar. O nível de detalhe é impressionante, mas em momento algum deixa o leitor enfadado.

“De vez em quando, um bote salva-vidas, uma choupana, um parente do barco-mãe, perdido na tempestade silenciosa das estações, afundava nas ondas silenciosas de cupins e formigas que devoravam a ravina, para sentir o adejar de gafanhotos agitando-se como papel seco no mato quente [...]” (p. 31)

Um mágico verão atemporal na vida de um menino imortalizado pelas palavras do incomparável Ray Bradbury.

Ray Bradbury nasceu em Waukegan, Illinois, em 1920. Terminou, em 1938, o ensino médio e, com isso, sua educação formal. Mas Bradbury continuou por conta própria — à noite, na biblioteca; durante o dia, em sua máquina de escrever. Antes de se tornar um dos nomes mais consagrados da ficção científica, vendeu jornais nas esquinas de Los Angeles. Seu primeiro conto veio a público em 1941, e sua obra foi selecionada para as melhores coletâneas de contos americanos em 1946, 1948 e 1952. Entre os prêmios acumulados por Bradbury estão o O. Henry Memorial, o Benjamin Franklin e o prêmio da Associação dos Escritores de Aviação Espacial. Ray escreveu para televisão, rádio, teatro e cinema. Sua obra é consagrada mundialmente. "Licor de dente-de-leão" chegará às telas de cinema em 2014. Pela Bertrand Brasil, publicou Algo sinistro vem por aí. Faleceu em 2012.

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