07/08/2013

.: MEMÓRIA NERD .: Cavalo de Fogo

Quem resolver puxar um pouco pela memória e trouxer à tona os grandes desenhos que inundaram as nossas TVs durante os anos 80, quando nossas únicas preocupações eram a hora do recreio e as fitas de videogames que alugávamos na locadora aos fins de semana, vai ter uma imagem muito forte: o símbolo da Rede Globo. Afinal, era no finado (graças a Deus!) "Programa da Xuxa" que a vênus platinada exibia seus maiores clássicos: Caverna do Dragão, He-Man, She-Ra, Thundercats, Transformers, Comandos em Ação e tantos outros. Mas... pera lá: e no SBT? Ah, meus caros amigos, embora obscurecida pela poderosa rival, a emissora do Tio Silvio também trazia um monte de desenhos que se tornariam clássicos absolutos da nossa infância. Quem não se lembra da 'Jem', da 'Nossa Turma' (Get Along Gang), dos 'Ursinhos Carinhosos'... e do divertidíssimo Cavalo de Fogo?


'Cavalo de Fogo' (em inglês, Wildfire) foi um desenho produzido pelos incansáveis estúdios da Hanna-Barbera, e que foi uma importante atração infantil na emissora americana CBS de setembro de 1986 a setembro de 1987, quando a série foi prematuramente cancelada. Os motivos do cancelamento? Obviamente a audiência, já que o desenho nunca foi dos produtos de maior aceitação do público americano.

A HISTÓRIA

Sara Cavanaugh, 13 anos, é uma menina normal, como qualquer outra de sua idade. Gosta de brincar como uma criança mas, aos poucos, as responsabilidades de mulher vão entrando de vez em sua vida. Ainda um bebê, ela foi deixada na porta da casa do humilde fazendeiro John Cavanaugh, que a criou como se fosse uma filha verdadeira em seu rancho, em Montana, nos EUA. A única pista de quem poderia ter abandonado a menina reside num estranho medalhão que ela carrega com orgulho no pescoço.

Mas (momento de tensão dramática)... eis que, certo dia, Sara é abordada por um belíssimo cavalo de crina vermelha, que por algum motivo surgiu saltando de um buraco de energia no meio do céu. Como se não bastasse estranheza suficiente, o bicho ainda resolveu falar com a assustada loirinha! Sim, ele falava nossa língua!!! Apresentando-se como Cavalo de Fogo, o imponente animal revelou toda a história: Sara é, na verdade, a Princesa Sara, herdeira do trono de um reino de outra dimensão chamado Dar-Shan. Outrora um oásis de harmonia e felicidade, Dar-Shan era governado por sua mãe, a bondosa Rainha Sarana, que estabelecia a paz entre humanos, cavalos e todos os outros seres. Mas a terrível irmã de Sarana, Diabolyn, era muito ambiciosa e, num golpe para tomar o trono, lançou secretamente um feitiço sobre a governante de Dar-Shan. Às portas da morte, ela ordenou ao seu fiel escudeiro, o Cavalo de Fogo, que levasse a pequena Sara para a segurança, livrando-a do feitiço e permitindo que ela pudesse crescer normalmente.

Com o poder de atravessar as dimensões, o animal a levou para a Terra e... bingo! Ela acabou sendo criada durante 13 anos sem o menor conhecimento de sua história e do trágico destino de sua mãe e de seu reino de origem. Sua única herança? O medalhão que a avisa que o Cavalo de Fogo se aproxima... e a coragem para lutar pelo povo que depende dela para escapar da tirania da terrível Diabolyn.

OS PERSONAGENS

Além do Cavalo de Fogo, líder do Santuário dos cavalos e o mais poderoso (e, por que não dizer, arrogante) guerreiro em quatro patas que Dar-Shan já conheceu, Sara contava com o apoio de outros amigos em sua empreitada. Um dos mais poderosos é o velhote Alvinar, ex-conselheiro da Rainha Sarana. Um homem de muita sabedoria (mas bastante esquecido, leia-se bem), este antigo feiticeiro é dono de poderes incríveis...que, no entanto, sua idade avançada acaba escondendo. Alvinar é pai adotivo do sapeca Dorin, garoto órfão que adora sair em aventuras e odeia as tarefas corriqueiras do dia-a-dia, como varrer a casa (ah, eu que o diga)! Carismático, ele tenta a todo custo aprender os dotes mágicos de Alvinar... mas é óbvio que acaba não conseguindo, já que é um tanto quanto trapalhão. Por falar em trapalhão, a trupe da Princesa Sara e de Dorin é completada pelo medroso pônei Brutus, criaturinha sensível e bem-humorada que sonha tornar-se um guerreiro tão poderoso quanto o Cavalo de Fogo no futuro.

Mas a vida de Sara seria muito difícil sem a presença de Ellen, a melhor amiga da princesa na Terra. Herdeira de indígenas, é ela que ajuda a encobrir as constantes ausências da amiga, tentando evitar que o seu pai descubra sobre o Cavalo de Fogo. É a única que sabe sobre a existência de Dar-Shan e da história mágica da menina.

A HISTÓRIA VERDADEIRA!

Mas se você pensa que a saga da Princesa Sara é assim tão simples, engana-se redondamente. Muitos episódios a frente, a doce garota descobre a dura verdade: John Cavanaugh não é seu pai adotivo, mas sim seu pai verdadeiro! John é a identidade terrena do Príncipe Cavan de Dar-Shan, marido da falecida Rainha Sarana. TA-DÃ!

Quando Sarana foi enfeitiçada por sua irmã e condenada à morte, ele e Sara foram mandados à Terra... mas, como era adulto, Cavan acabou condenado à uma terrível amnésia que o impede de lembrar qualquer detalhe sobre seu passado. Em um dos episódios, Sara acaba viajando ao passado de Dar-Shan e, embora esteja impedida de interferir, ela acaba presenciando o casamento de seus pais... sem que nenhum dos dois sequer suspeitasse, é claro...

A grande façanha de Cavan foi aprisionar as terríveis entidades conhecidas como espectros - seres de pura sombra e maldade que só foram vencidos com o mesmo amuleto que, anos mais tarde, Sara ganharia de presente. Guardados num frasco místico debaixo da terra, eles ficaram ocultos até que Diabolyn e seus guardas resolvessem libertá-los em prol de seus propósitos malignos contra sua bondosa irmã. O único problema: os guardas da vilã foram transformados em goons assim que abriram o recipiente no qual estavam aprisionados os espectros. O chefe da guarda, Dweedle, é o único goon sem asas. Caso vocês não se recordem, os goons são aquelas estranhas criaturas que seguem Diabolyn para todos os lados, funcionando como uma apatetada guarda de honra.

ENFIM...

'Cavalo de Fogo' não era o melhor desenho de sua época, isso é verdade. Mas era uma história sincera, sem pretensões, com personagens divertidos e carismáticos (por sinal, a marca registrada da Hanna-Barbera) e com certa dose de emoção, o suficiente para grudar um ou uma garota da década de 80 na frente da telinha. Talvez, nos dias de hoje, este seja o tipo de cartoon que já não pareça assim tão legal... mas trata-se de uma lembrança das mais deliciosas que guardo comigo.

"No meu sonho eu já vivi
um lindo conto infantil
tudo era magia
era um mundo fora do meu
e ao chegar desse sonho, acordei.

Foi quando correndo eu vi
um cavalo de fogo ali
que tocou meu coração
quando me disse então
que um dia a rainha eu seria
se com a maldade pudesse acabar
no mundo dos sonhos pudesse chegar..."

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