18/08/2013

.: MONDO NERD .: Minha estreia no mundo do RPG

Dia destes, quando não tinha mais nenhum bom seriado na Sony para assistir ("Charmed"? Me poupe, por favor!), folheando o meu módulo básico do "Vampire: The Masquerade", me deparei com um lado meu completamente saudosista. Comecei a me lembrar de personagens antigos, dos meus primórdios no mundo do RPG. E à medida que imagens de engraçadíssimos vampiros iam voltando a minha mente (vocês não imaginam como eram os primeiros "kindred" que eu criei...podem deixar que algum dia eu ainda conto esta história...), me lembrei da minha primeira e pioneira aventura de RPG.

Deve fazer uns sete, oito anos, mais ou menos. Este bom e velho blogueiro não era tão velho assim -pra ser sincero, devia ter uns 13 anos. O responsável pela minha introdução (vejam bem o que vocês estão pensando!) foi um amigo de longa data, o Ravnos (quem é raposa velha no mundo do RPG com certeza já ouviu falar desta figurinha carimbada). Ele mesmo ainda estava começando a se aventurar no RPG (não resisti ao trocadilho), e procurava uma cobaia para ser seu primeiro "player".

Certa tarde, quando eu já não tinha mais nada pra fazer além de ver reprises do Pica-Pau e do Chaves na televisão (o SBT é jogo duro...), o Ravnos chega a minha casa falando animadamente sobre o tal RPG. Na verdade, a gente já tinha conversado sobre esta "mania que vinha tomando conta dos Estados Unidos". E pra mim nunca tinha sido muito complicado entender o que diabos era esse jogo, já que eu sempre criei minhas próprias histórias com as minhas intermináveis coleções de bonecos dos Comandos em Ação e dos Transformers (Tá bão, Fanboy, pode gritar agora...). Foi quando percebi que o cara trazia nas mãos um livro chamado "Dungeonner", obra da polivalente Steve Jackson Games (a mesma do GURPS).

Só pra esclarecer um pouquinho: o "Dungeonner" era uma mistura de livro-jogo (lembram-se de "Encontro com M.E.D.O."?) com o RPG que conhecemos nos dias de hoje. Ah! Lembrava muito aquela aventura básica que se pode encontrar nas páginas finais do módulo básico do GURPS. Whatever... lendo algumas páginas do livro e vislumbrando algumas de suas ilustrações, me apaixonei e praticamente intimei o cidadão a mestrar aquilo pra mim na mesma hora (embora, na época, eu ainda estivesse entendendo mais ou menos o que significa a palavra "mestrar").

Acabei criando um personagem do qual não me esqueço até hoje: Kevin, um elfo arqueiro rebelde e um pouco anti-social; bem alto, magrelo e com uma agilidade fora do comum. Súbito, alguém no fundo da classe deve com certeza deve ter levantado a mão e perguntado: "Mas tio Cid: um elfo chamado KEVIN? Isso é nome de yuppie dos anos 90!". Pois é... Mas como diabos vocês queriam que eu soubesse, naquela época, que existia um tal "idioma élfico"? Eu nem sabia o que era "élfico!". Não, ainda não tinha lido "O Senhor dos Anéis".

Enfim: fomos à aventura! A história não podia ser mais básica -um mago necromante terrível roubou todo o tesouro de uma aldeia de elfos. Seus melhores guerreiros já tinham sido derrotados pelo feiticeiro, até que eu, elfo meio "bad boy", metido a besta, quase um James Dean versão Tolkien, fui convocado para a tarefa. Como era de se esperar, só aceitei por causa do dinheiro, já que ninguém daquela "maldita aldeia" ia lá muito com a minha cara (mas é óbvio que havia uma certa elfa apaixonada por mim, contra a vontade dos pais). Depois de me deparar com um invocado quarteto de anões guerreiros armados com machados duplos (e que eu só consegui vencer porque o mestre ficou com pena de mim) e de fugir a todo vapor de uma taverna recheada de Ogros (eu também apelei, tentando enganar os caras com um truque de cartas para tirar um dinheiro deles... os dados não me ajudaram e os grandões perceberam que era enrolação), finalmente cheguei à montanha sombria do mago/antagonista.

Como era de se esperar, passei horas perdido em meio a labirintos e armadilhas dignas de um Indiana Jones medieval, com direito até à pedra rolando atrás de mim. Quando finalmente cheguei a maldita sala do trono satânico (ou algo do gênero) do dito cujo místico, ele fez um discurso sobre dominação mundial com sua voz gutural (bwahahahahahahaha!) e tentou sugar minha alma do meu corpo. Estranhamente, a cada vez que ele ria, uma das tochas acesas na sala tremulava junto com a sua voz. Até que o mestre me fizesse perceber isso, eu já botava a maior fé que meu primeiro personagem estava destinado a uma cova no sopé da montanha. Novamente, por um golpe de sorte (graças a boa vontade do mestre, porque se dependesse da MINHA sorte nos dados ia ser um problema séééééééério), atingi a tal tocha com uma providencial flecha restante (gastei todas as outras tentando abater um veado pra poder comer) e bingo! Estava derrotado o feiticeiro, que se desvaneceu numa nuvem de fumaça prometendo que ia voltar (clichê absoluto).

Métodos à parte, até hoje ainda tento entender o que diabos uma tocha na parede teria a ver com a vida e obra do feiticeiro, já que o mestre Ravnos preferiu guardar o mistério para uma próxima aventura... que nunca aconteceu. Ai, ai... bons tempos aqueles... (não, não eram não, mas eu tinha que dizer isso).

Nenhum comentário: