16/08/2013

.: QUADRINHOS .: Hit Girl

Basta uma mera leitura de "Hit-Girl", o encadernado que reúne a minissérie de mesmo nome e que serve de ponte de ligação entre o primeiro "Kick-Ass" e sua continuação, fica evidente o abismo que existe entre a HQ original e sua adaptação cinematográfica inicial. Recém-lançado no Brasil pela Panini, o encadernado tem uma trama inteiramente focada na psicopata mirim favorita de todos os leitores - e um pedaço importante da história foi utilizado também no segundo filme de "Kick-Ass", que chega aos cinemas em breve. Tenho receio, no entanto, de que se "Kick-Ass 2" seguir seu antecessor à risca, o leitor vá acabar ficando decepcionado.

O primeiro gibi de "Kick-Ass" é corajoso, repleto de violência politicamente incorreta e sem qualquer dó de esmagar seu protagonista, um perdedor nato até o fim. "Kick-Ass", o filme, começa bem. Mas fica bunda-mole demais em sua metade final, dando contornos de herói clássico ao jovem fantasiado, que coloca um foguete nas costas e salva o dia, com direito à bandeira tremulante e tudo. Decepcionante.

"Hit-Girl", o gibi, mostra a pequenina tentando se adaptar a uma vida de pré-adolescente comum, com escola, Facebook, telefone celular e o artista pop do momento. Mas tem novos mafiosos na área, e o seu alter-ego matador de bandidos não pode parar de se livrar destes lixos humanos. Enquanto treina Kick Ass para ser um herói melhor, apesar de suas trapalhadas, ela finge ser uma menina normal para a mãe e o padrasto, enquanto protagoniza as cenas mais grotescas de matança, feitas das maneiras mais criativas e sanguinolentas possíveis. Você fica ali, torcendo para ela ser cada vez mais escrota. E tudo regado com o texto de Mark Millar em ótima forma, com afiadíssimas referências pop.

Bom. Se o filme "Kick-Ass 2" supostamente herda um pouco de "Hit-Girl" para ambientar o espectador, por favor, que seja sem a covardia do primeiro filme. Este é um filme de nicho. Não é um filme de super-herói para a família. Não é o Homem-Aranha, não é o Homem de Ferro. É pancadaria, palavrão, incorreção. Sem cagação de regra, sem finalzinho feliz, sem casalzinho frouxo e meloso. Quando os caras em Hollywood finalmente têm liberdade para fazer algo divertido, livre de amarras, eles ficam com medinho? Não faz o menor sentido.

Prelúdio para Kick-Ass 2: Hit-Girl tem 132 páginas, capa cartonada e preço de R$ 21,90.

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