12/09/2013

.: MEMÓRIA NERD .: Machine Man

Entre o final da década de 80 e o começo dos anos 90, o Brasil foi invadido por uma horda de heróis japoneses em roupas colantes, seguidos por seus robôs gigantes e monstros em fantasias de borracha. E nomes como Changeman e Jaspion tornaram-se comuns para a molecadinha da época. Eram os Tokusatsu. Para os que, como eu, eram viciados nas aventuras destes guerreiros de olhos puxados, deve ser fácil lembrar que o grande monopólio deste tipo de seriado era detido pela Rede Manchete, que exibia Jiraya, Jiban, Flashman, Maskman, Black Kamen Rider e muito outros medalhões da terra do Sol Nascente. Às outras emissoras, restava tentar pegar rescaldo neste sucesso. A Globo se deu muito mal, com os horríveis Bycrossers e Sheider. Mas a Bandeirantes até que oferecia algumas opções interessantes, exibindo coisas como o maravilhoso Metalder e, é claro, o inesquecível Machine Man.

Exibida no Japão em 1984 pela TV Asahi, a série Seiun Kamen Machineman (em português, algo como 'Máscara Nebulosa Machineman') contava as aventuras de Nikku (Shu Kubota), um estudante universitário vindo do planeta AB para estudar o comportamento deste estranhos terrestres. Viajando na nave Space Colony, ele é acompanhado por um IRRITANTE robôzinho voador chamado Ball Boy. Por algum motivo, o Ball Boy se parecia muito com uma bolinha de beisebol... Mas isso não vem ao caso.



Usando o nome humano de Ken Takase (e um par de óculos para disfarçar, a la Clark Kent), ele acaba salvando de um acidente a bela fotógrafa Gunko... por quem, é claro, ele acaba se apaixonando mais tarde. Pra quem não lembra, quem interpreta Gunko é a atriz Kyomi Tsukada, famosa pela personagem que viveria um ano mais tarde: a atrapalhada andróide Anri, companheira do . De qualquer forma: Gunko tirava fotos para uma matéria sobre um prédio que havia desabado misteriosamente. Mais tarde, ela e Ken descobrem que tudo foi obra da organização Tentáculo, uma gangue liderada pelo inescrupuloso Professor K (Hideo Amamoto). O velhinho é um homem que odeia crianças e quer fazer de tudo para acabar com elas... além, é claro, daquele planinho habitual que inclui dominar o mundo...

Então, para proteger sua amada Gunko e as criancinhas da Terra, Nikku resolve usar sua avançada tecnologia e seus poderes superiores e acaba assumindo a alcunha de... Machine Man (mas esta você já sabia, fala sério). Dá um look no uniforme do cara logo aí ao lado. O que pode parecer uma mera espada de esgrima é na verdade uma poderosa arma que, quando energizada, dá cabo dos robôs mais mortíferos do Professor K. Além da espada e sua capa transparente (que, certas vezes, sumia convenientemente), Machine Man conta com o veloz carro Dolphin que podia se transformar numa espécie de jato. Detalhe: nas séries japonesas de brinquedos do personagem, o Dolphin também virava um robô... coisa que nunca aconteceu na série.

Alguns episódios a frente, Machine Man consegue desmantelar a organização do Professor K. Mas justamente quando o herói achou que poderia comemorar, eis que surge sua neta, Lady M. Ao lado do seu fiel servo Toshinkan, ela funda uma nova gangue: o Polvo (original pra cacete, fala sério). Assim como o avô, ela também odeia crianças - tanto é que tem alergia todas as vezes que se aproxima delas, espirrando feito uma louca e ficando com um enorme nariz vermelho. Mas suas artimanhas e servos robóticos também não conseguem dar cabo do ardiloso (?) Machine Man. No final da série, o desaparecido Professor K retorna, trazendo a maior ameaça que nosso herói já enfrentara: Golden Monsu, versão fortalecida do primeiro robô que ele enfrentou. E é claro que o bem triunfa no fim das contas.

Olha... a série era uma bosta. Os efeitos eram horríveis e as situações algumas vezes até transcendiam o absurdo (e isso em se tratando deste tipo de seriado japonês é algo de se surpreender). Mas era tudo de uma simplicidade tamanha que chegava a conquistar. Tinha um tom muito mais infantil do que seus similares e usava e abusava de clichês mais teatrais. Na verdade, o humor era mais presente nesta série do que a aventura. Mas Machine Man me ganhou principalmente porque não se levava a sério. O seriado era muito verdadeiro em sua proposta e não fingia ser algo que não é. É um verdadeiro clássico da nostalgia nipônica.

'Machine Man' foi criado por Shotaro Ishinomori numa parceria da TV Asahi e da clássica produtora Toei e teve somente 36 episódios.

CURIOSIDADE: A voz original do Ball Boy foi feita pela consagrada atriz Machiko Soga. Ela é conhecida do público brasileiro como a Rita Repulsa da primeira série dos Power Rangers - na verdade, ela era a Rainha Pandora de Spielvan, seriado que foi usado como base para os Rangers.

Um comentário:

Ricardo Spinelli disse...

Bons tempos... adorava o conceito do Metalder... e ok... vou admitir: Gostava pacas do Ball Boy!!!