12/10/2013

.: QUADRINHOS .: Homens-Aranha

Ler a edição especial "Homens-Aranha", que reúne Peter Parker, o Homem-Aranha da cronologia regular, e Miles Morales, o Homem-Aranha do Universo Ultimate, é de deixar qualquer fã do personagem passando raiva. Quer dizer, você vai passar raiva apenas se souber o que o roteirista Dan Slott tem reservado para o herói no futuro, com todo aquele lance da troca de mentes com o Doutor Octopus e tal. Ler "Homens-Aranha" é ver Brian Michael Bendis em sua melhor forma, trabalhando ambas as versões do aracnídeo com carinho e delicadeza, com inteligência e muito bom humor, do jeito que a gente espera ver o herói, Parker ou Morales, ser tratado.

O cerne da trama não tem muito segredo: Parker acaba, numa noite de ronda comum, se deparando com o Mysterio, que está lidando com um portal interdimensional. Os dois brigam e eis que o nosso simpático Aranha acaba sendo arremessado para a Nova York do mundo Ultimate, tão parecida e tão diferente. Enquanto ele e Morales se conhecem e se estranham, descobrimos, numa sacada genial de Bendis, que o Mysterio Ultimate é na verdade uma espécie de avatar controlado à distância pelo Mysterio da realidade 616. Ótima sacada – e que vai ter desdobramentos tanto em um quanto em outro universo no futuro.

É claro que, mesmo quando Parker e Morales lutam pela primeira vez, Bendis esbanja talento – auxiliado pela arte gostosa de Sara Pichelli, que é limpa, ágil e cheia de personalidade – ao mostrar como o menino fica quase reverente diante da versão adulta de um jovem que, em seu mundo, morreu de maneira tão trágica. Mas Morales tem uma gama de poderes diferente daqueles que Parker conhece, conseguindo se camuflar nas sombras e até fazer uso de uma espécie de picada venenosa. Logo, parece que temos um vencedor bem nítido aqui. Aí, Parker acaba nas mãos da S.H.I.E.L.D. e se vê de frente com um Nick Fury negro e mais estiloso. Adivinha só o que acontece. Espaço para mais diálogos de rolar de rir, especialidade de Bendis. Mas não está aí, ainda, seu grande acerto.

Quando Peter Parker, desnorteado, acaba resolvendo ver a Tia May desta outra realidade, é aí que a história ganha seus melhores e mais definidos contornos, sem precisar recorrer às lutas físicas. É quando ele descobre como o Peter Ultimate morreu. É quando ele encontra a versão adolescente de Gwen Stacy morando com a tia e começa a lembrar do que aconteceu com a sua Gwen. É quando ele descobre que o Peter deste mundo namorou com Kitty Pryde, dos X-Men, e acha estranho pacas. É quando a Mary Jane adolescente descobre que tem um Peter Parker de trinta e poucos anos rondando a casa que outrora foi de seu falecido namorado. E é quando a Tia May Ultimate desaba e abraça a versão adulta de seu sobrinho, percebendo claramente que estava fazendo a coisa certa – porque, em outro lugar, ainda vivo, ele se tornou uma pessoa digna, exatamente como ela sempre quis que fosse. Sou bundão, chorei, admito.

No fim das contas, "Homens-Aranha" é um atestado de que Miles Morales está muito bem-servido – e de que Peter Parker, coitado, está com um destino cada vez mais trágico traçado diante de seus olhos…

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