26/11/2013

.: FRASE DA SEMANA .: Alan Moore

“Eu não leio nenhuma HQ de super-heróis desde que acabei Watchmen. Eu odeio super-heróis. Eu acho que eles são abominações. Eles não têm mais o mesmo significado de antes. Eles estavam originalmente nas mãos de roteiristas que poderiam ativamente expandir a imaginação do público entre 9 e 13 anos de idade. Era exatamente para isso que eles foram criados e era exatamente o que faziam. Atualmente, os gibis de super-heróis não são obviamente pra um público entre 9 e 13 anos, não têm nada relacionado a eles. É um público basicamente de 30, 40, 50 e 60 anos de idade, em sua maioria homens. Estes leitores se agarraram a isso, eles estão interessados em uma forma de validar seu amor contínuo pelo Lanterna Verde e o Homem-Aranha sem parecer de alguma forma emocionalmente anormais. Essa é uma parte significativa do público de viciados em super-heróis. Eu não acho que os super-heróis signifiquem nada de bom. Na verdade, eu acho um sinal alarmante quando adultos vão ver o filme dos Vingadores e se deliciam com conceitos e personagens feitos para entreter um garoto de 12 anos nos anos 50”


Esta foi a polêmica frase de Alan Moore, o genial escritor inglês de quadrinhos que, ao reinventar personagens clássicos e conceitos envelhecidos do mundo dos super-heróis em "Watchmen", ajudou a pavimentar uma nova era nos gibis dos justiceiros uniformizados. E foi esta frase, parte de uma entrevista para o jornal The Guardian, que deixou os fãs de HQs tão irritados, se queixando de seu ídolo e espalhando uma verdadeira onde de #mimimi nas redes sociais (onde mais?). Mas vamos analisar a declaração do barbudão com calma.

Moore tem se provado um polemista de primeira, não perdendo nenhuma oportunidade de criticar o atual mercado mainstream de gibis norte-americanos, em especial aquele formado pela Marvel e pela DC. Este é o primeiro ponto. É, eu sei, também gostaria que ele se dedicasse mais a escrever quadrinhos com a genialidade costumeira e menos em causar polêmica, provocar, cutucar. Mas, diabos, ele é o Alan Moore. Ele tem todo o direito de ser um pentelho ranzinza, diabos. Ele pode ser um velho mal-humorado. Simplesmente porque sim.

No mais, ele diz sim algumas verdades. Sim, os super-heróis surgiram como veículos de entretenimento para uma molecada que envelheceu - e, sim, nós sabemos bem que este público não se renovou como deveria, não rejuvenesceu, por uma série de fatores. Cronologias complicadas, creio eu, são o principal deles. Como diabos um pivete vai começar a ler Homem-Aranha ou X-Men nos dias de hoje? Em que edição ele começa, qual é a origem que ele vai aceitar como a original, que realidade alternativa ele tenta experimentar? Complicado. Junte a isso o fato de que as novas gerações são muito mais audiovisuais, interessadas nas versões para cinema/TV e menos em qualquer coisa relacionada à literatura. Vemos um cenário no qual trintões e quarentões são responsáveis pela maior parte das vendas de gibis.

Outro ponto no qual concordo, pelo menos em partes: é cansativo ver estes fãs das antigas tão dedicados aos seus heróis e com uma resistência imensa em experimentar novos gibis e/ou novos conceitos, mudanças e afins. É um saco mesmo. Neste sentido, pelo menos, estou longe de me enquadrar na bronca do velho Moore. Ainda gosto do meu bom, velho e sofrido Homem-Aranha. Mas não tenho medo de tentar novas histórias, personagens, autores, fugir um pouco dos heróis e provar os independentes, as histórias alternativas. Não faz mal pra ninguém. Tente. Vai te fazer bem, meu querido.

No mais, veja só: pelo menos o Moore não se tornou aquele arremedo de roteirista que acabou virando o Frank Miller. Outrora um gênio, agora um idiota. Pense nisso. Pelo menos. :)

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