01/04/2014

.: CINEMA .: Nós vimos 30 minutos de "O Espetacular Homem-Aranha 2"

* Escrita a quatro mãos com o bróder Renan Martins Frade, do Judão (www.judao.com.br)

Na noite desta segunda-feira (31), o JUDÃO teve a oportunidade de conferir 30 minutos de cenas do filme O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (e não, isso NÃO é um texto de 1º de abril, antes que alguém pergunte). Foram três sequências inteiras, representando três momentos diferentes do filme, com direito até à introdução do diretor Marc Webb explicando a bagaça toda.


Ok, obviamente que não dá para julgar, antecipadamente, o filme inteiro por conta desta meia-hora. Mas já dá para sentir qual é o espírito da trama e como será conduzida. E já dá para dizer que os apressadinhos podem se acalmar, principalmente os críticos da primeira parte. Tudo indica que vem por aí um filme divertido, cheio de ação e bastante fiel ao coração do personagens nas HQs. Vamos por partes, então.

A projeção começou com a abertura do filme – primeiro, um flashback, sob o ponto de vista de Richard Parker, que dá mais pistas sobre o projeto no qual estava trabalhando antes de começar a ser perseguido e ser obrigado a fugir com a esposa, Mary, deixando o filho Peter sob os cuidados do irmão Ben e da cunhada May. O resto você já sabe — o avião cai (e isso não é um spoiler, já que é citado no primeiro filme). Sim, fica claro que vamos entender melhor a respeito de seu projeto misterioso na Oscorp (que, a gente supõe, deve ter algo a ver com os tentáculos, asas e demais armamentos que a gente viu nos trailers, Sexteto Sinistro feelings).

Isso deve, inspiradíssimo no conceito criado na linha Ultimate, fazer toda a origem genética dos poderes de Peter girar ao redor de um plano maior de Norman, que vai infectar seu filho Harry – sendo que ambos vão dar as caras, também. Espero, no entanto, que o filme seja mais ponderado no principal erro da produção anterior, que foi tirar o foco do relacionamento de Peter com seus tios, que são a base fundamental de sua formação de caráter.

Depois dessa cena de abertura, com Richard e Mary, o filme pula para o ~presente. Vamos para mais uma manhã típica em Manhattan, na qual o Homem-Aranha se balança pela cidade e, ao ouvir a frequência da policia, descobre que um bando de malucos roubou um caminhão com um carregamento potencialmente perigoso de plutônio. No volante, um alucinado Aleksei Sytsevich (Paul Giamatti), ainda antes de se tornar o Rhino. Nesta cena, que traz ainda a participação especial do Max Dillon de Jamie Foxx, um nerd inseguro antes de tornar-se o Electro, o mais legal é ver que os efeitos especiais evoluíram de tal maneira que já é possível ver a movimentação do Cabeça-de-Teia pelos prédios rigorosamente da mesma forma que nos quadrinhos, se jogando e se contorcendo todo como nos melhores momentos de Todd McFarlane.

Praticamente um sonho de infância tornado realidade.

E mais: a cena inteira é muito, mas muito engraçada, com o herói despejando toneladas de piadas infames, exatamente como ele faz nas HQs e rigorosamente como fez muita, mas muita falta, na trilogia anterior de vibração mais melancólica dirigida por Sam Raimi. Até porque, vamos combinar, uma das grandes sacadas do Homem-Aranha sempre foi essa jogada entre a alma atormentada pelas responsabilidades do homem, com a diversão do garoto fantasiado. Sem falar que temos o herói num momento in love com a população nova-iorquina e que, cá entre nós, sabemos que não deve durar muito.

E esse foi o final da primeira cena – que, na prática, são duas.

Como explicou o diretor Marc Webb no vídeo introdutório, há um salto temporal na segunda cena. Se no começo do filme Peter e Gwen estão juntos, nessa aqui eles estão separados há um ano. A loira chama o amado pra sair, mas apenas para ~reatar a amizade. Uma espécie de DR começa, sobre o que pode e o que não pode nessa “amizade”, mas de uma forma divertida. A química entre os dois atores é incrível (MUITO mais crível do que a dobradinha Tobey Maguire + Kirsten Dunst) e lembra MUITO o relacionamento de Peter e Gwen nos gibis, principalmente da época que Stan Lee e John Romita assinavam as histórias. Isso sem contar o fato de que Emma Stone é uma mulher incrivelmente linda e graciosa, que consegue ser fofa até coçando o nariz.

Só que ao mesmo tempo que empolga pelo clima, a cena traz a primeira dor no coração quando Gwen diz que está concorrendo a uma vaga de intercâmbio e deve viajar para a Inglaterra. Porque você, querido leitor fiel dos gibis do Aranha, sabe o que acontece com a personagem quando ela volta da Inglaterra, não é mesmo? Enfim. Assunto pra depois.

O papo entre os dois é interrompido pela primeira aparição do Electro, já que Max Dillon acaba de ganhar seus novos (e eletrizantes – desculpem, não resistimos) superpoderes, em plena Times Square. Ainda desnorteado, ele é atraído pela imensa quantidade de eletricidade vibrando no ar e chama a atenção de Peter, com uma manifestação sutil de seu sentido de aranha, outro elemento que quase não foi explorado nos filmes de Raimi e que aqui surge como um ótimo elemento. E quando ele deixa Gwen sozinha, fica claro que o Homem-Aranha vai mesmo se tornar um obstáculo entre eles. Clássico dos relacionamentos de Peter Benjamin Parker.

Ah, este velho azar do Parker…

O papo entre o Teioso e o Electro, não tenha dúvida, descamba pra pancadaria, ainda mais depois que o aspirante a vilão percebe que a população está torcendo e apoiando o herói e tratando-o como um monstro azulado. Em busca de ajuda, Max se sente ameaçado, se descontrola e causa uma considerável e impressionante destruição por ali, ameaçando os transeuntes e fazendo o aracnídeo suar a camisa (com um disparador de teias a menos, detalhe) para impedir que um bando seja eletrocutado – em uma interessante cena em câmera lenta, que mostra mais uma vez um uso diferenciado para o sentido de aranha – ou que um letreiro esmague um pobre sujeito desavisado.

Aliás, o Escalador de Paredes salva gente pra caramba nesta meia-hora, diferente de um certo kryptoniano que devastou meia-cidade para pegar o vilão. Mas não vamos perder o foco aqui.

O confronto se encerra com mais uma das gracinhas do escalador de paredes, derrubando o Electro usando um dos planos mais utilizados por ele nos gibis e deixando o vilão, mesmo capturado e aparentemente indefeso, num nível de ódio contra o mascarado, algo que vai permear o resto da história.

Se o final da cena traz a justificativa para Max odiar o Aranha, também traz uma boa razão para ver esse filme em 3D, quando finalmente estrear nos cinemas. O uso da tecnologia alcançou um outro nível, estando bastante presente nas três cenas que vimos. Porém, é na luta em Times Square que ela ganha (literalmente) uma outra dimensão. É como se você fosse realmente jogado ali no meio da confusão, com coisas caindo pra todos os lados.

Hora então da terceira cena. Vemos Harry Osborn (Dane DeHaan, mandando MUITO bem) invadindo o Instituto Ravencroft para tentar libertar o Electro. Harry está ferido – não sabemos o motivo – e pede a ajuda de Max para tentar adentrar a Oscorp. “Mas você é o dono do lugar, pode entrar e sair quando quiser”, argumenta Electro, mantido sob contenção em um aparelho que parece reprimir seus poderes. “Não é mais assim”, retruca o outrora melhor amigo de Peter. O filho de Norman promete que Max terá a cabeça do Aranha, exatamente como deseja. E que, assim como o Electro se sentiu traído pelo Homem-Aranha, dá a entender que Harry também se sente traído por Peter Parker.

O que Harry quer na Oscorp a gente não sabe muito bem (provavelmente o traje de Duende Verde, mas isso não é dito), mas ele só consegue convencer o Electro a ajudá-lo quando o vilão elétrico sente que o cara ali realmente precisa de sua ajuda. Cria-se um vínculo de empatia entre os dois e o Electro não apenas se liberta, como dá cabo de todos os seguranças e ainda usa um recurso que o personagem, nas HQs, só percebeu que conseguiria depois de um papo com Magneto, que lhe fez começar a entender que tinha um poder acima da média e que estava sendo mal-utilizado: a transformação em eletricidade pura e o transporte por meio de cabos elétricos. Quando ele se reintegra, cria-se um clima épico e majestoso que lembra imediatamente o Doutor Manhattan, de Watchmen. Ou seja: ele ainda não sabe direito o que faz. Mas que o Electro é bem mais poderoso do que ele mesmo imagina, isso é.

No final, ainda tem um clipe com cenas já vistas nos trailers, incluindo o Duende Verde em ação.

A grande mensagem que estes 30 minutos deixam é que, embora tenhamos três vilões no filme, está claro que eles terão pesos diferentes e serão usados em momentos distintos da história. Muito provavelmente não teremos o Cavaleiro das Teias encarando o trio todo ao mesmo tempo. A trama parece bem amarrada, bem costurada, e tem todo o jeito de que vai ser conduzida com calma, com tranquilidade, sem correria.

Tomara que estas impressões se reflitam, de fato, no filme como produto final. Mas já podemos dizer sem medo: tem cheiro de coisa boa a caminho.

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro estreia em 1º de maio.

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