08/07/2014

.: CINEMA .: Vimos 17 minutos de Guardiões da Galáxia e...WOW!

Em parceria com Renan Martins Frade, para o JUDÃO (www.judao.com.br)

Desde que a Marvel anunciou a produção da versão cinematográfica de Guardiões da Galáxia, a coisa que mais se tem ouvido falar a respeito do filme é que se trata da “aposta mais arriscada do estúdio até o momento”. O termo foi usado repetidas vezes, inclusive, no debate que se seguiu à exibição na noite desta segunda-feira (07/07) de 17 minutos da produção dirigida por James Gunn num evento apenas para convidados na cidade de São Paulo. Mas qualquer um que tenha tido a chance de conferir a sequência saiu sem quaisquer dúvidas a respeito: Guardiões da Galáxia não é uma aposta de risco. Muito longe disso. É a Marvel buscando um grupo de personagens relativamente desconhecidos do grande público e revestindo sua aventuras com o DNA de humor e ação das produções cinematográficas que eles vêm lançando até o momento, aproveitando ainda o ensejo para abrir as portas para a sua galeria de personagens espaciais.

Se todos os ótimos trailers já colocavam todas as expectativas lá em cima, estes 17 minutos carimbam: estamos diante do que deve ser um dos filmes mais divertidos do ano. Arriscamos dizer, inclusive, que tem grandes chances de ser tão bom quando o segundo Capitão América – o que seria, vejam, um feito considerável. Guardiões da Galáxia não tem nada de arriscado. É a Marvel sendo pura e simplesmente Marvel. E, neste caso, isso é ótimo. :)

A cena que pudemos ver (sim, meu caros, o JUDÃO esteve lá, devidamente representado por estes dois simpáticos escribas) começa seca (ou seja, há algumas coisas ANTES dela, no começo do longa, que não foram exibidas na oportunidade) e é essencialmente a prisão dos integrantes do grupo – que, neste caso, ainda não são um grupo, mas apenas um bando de seres esquisitos envolvidos, de uma forma ou de outra, na roubo de um artefato ainda não revelado (uma orbe, que provavelmente está relacionada à Manopla do Infinito e suas tão famosas joias) e que tem relação direta com Ronan, o Acusador.


Detalhe: a belíssima guerreira esverdeada Gamora (Zoe Saldana) é diretamente citada como sendo a herdeira de Thanos, o titã louco – o que é mais do que uma pista de que ele deverá estar, de alguma forma, na trama (Oi, Josh Brolin! =D). Some a isso o fato de que ela é diretamente acusada de trabalhar para Ronan e, bingo: quando o quinteto chega à unidade prisional controlada pela Tropa Nova, dá para perceber que eles estão longe de ser recebidos com empolgação pelo restante dos presos, já que seres de todas as partes do universo foram vítimas do braço forte de Ronan.

Percebemos ainda uma espécie de tensão entre as espécies de Drax (Dave Bautista, assustador em sua gana por sentar a porrada em tudo o que que vê pela frente, com um olhar psicótico que dá a impressão que ele vai explodir a qualquer momento) e Gamora – sexy e, de longe, a personagem mais séria da parada. Chris Pratt está ótimo como Peter Quill, o terráqueo que arruma uma baita confusão na cadeia quando descobre que alguém está ouvindo o seu walkman, as suas músicas, veja só! E o mais legal é que ele é praticamente o nosso guia nesta jornada, um sujeito para quem é tudo novo e que está descobrindo quem são aquelas espécies e como elas se relacionam. É o nosso olhar humano neste rico mundo novo espacial.

Mas a presença dos três acaba sendo eclipsada por aqueles que, já se sabia, são definitivamente os grandes destaques do filme: o guaxinim falante Rocket Raccoon (que, nas legendas, é chamado apenas de Rocky, nome adotado nos gibis brasileiros, por mais que em algumas falas em inglês ouçamos um “Rocket” e, em outras, apenas o “Rocky”) e a árvore-humanóide Groot. No caso deste último, descobrimos que seu olhar bondoso e seu jeito inocente, grandalhão e um tanto desengonçado, são de uma doçura encantadora. Mas em batalha, ele mostra um lado bastante interessante, aumentando seus membros ampliando pedaços de madeira para fazer escudos e tornando-se a força bruta que todo grupo de super-heróis precisa ter. É justo comentar: quando o diretor Gunn afirmou que, por mais que a única frase que ele diga é “Eu sou Groot”, a dublagem de Vin Diesel dá um tom diferente para cada ocasião, a gente riu. Mas faz MUITO sentido. O “Eu Sou Groot” que ele diz quando está enfurecido tem uma pegada diferente – e bem mais assustadora – do que o “Eu Sou Groot” que é dito quando ele quer conversar e se explicar. Em dado momento, você acha até que está entendendo o que ele quer dizer.

Claro, não poderíamos deixar de falar de Rocket, o guaxinim mal-educado com a metranca em mãos e que vai ser, de longe, a maior graça do filme. Dublado com inteligência por Bradley Cooper (que parece uma excelente escolha, já de imediato), ele é muito mais do que um Wolverine em miniatura. Fazendo eco diretamente na reinterpretação dos Guardiões da Galáxia nos quadrinhos lançados em 2008, Rocket é também um diminuto gênio científico. Irascível, ele não aceita receber ordens de ninguém. Sacaneia Peter Quill em uma cena simplesmente impagável. E planeja uma rota para fugir da cadeia que parece coisa de maluco, um plano mirabolante do tipo Cebolinha. Mas que, de maneira genial, funciona bem melhor do que parece.

A sequência de luta no meio do pátio da prisão espacial, gerada essencialmente pelo plano de fuga de Rocket, é impressionante, com adrenalina suficiente para te deixar grudado na cadeira. E a ação está perfeitamente dosada com uma quantidade considerável de humor, mais ainda do que nos outros filmes da Casa das Ideias – o que é, igualmente, uma referência direta ao atual momento dos quadrinhos. Mas não imagine nada exagerado. O humor está ali, tem seu espaço, tem seu papel. Mas não é uma comédia. É algo que funciona bem, de maneira assertiva e acertada.

No fim, estes 17 minutos cumpriram rigorosamente o seu papel: nos deixaram com água na boca para ver o filme completo o quanto antes.

Para você entrar no clima, a gente te mostra o novo trailer estendido do filme, que também pudemos ver em primeira mão na noite de ontem mas que está disponível na web para a sua glória e deleite… E a som de Cherry Bomb, clássico das Runaways. ;)

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